Alckmin insinua que Kassab deu golpe para ser vice de Serra

Sem citar Kassab nominalmente, ele lembrou da sucessão de episódios que culminaram na chapa Serra/Kassab

Carolina Ruhman, da Agência Estado

19 de setembro de 2008 | 15h38

O candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin, acusou seu adversário do DEM, o prefeito Gilberto Kassab, de ter dado um "golpe" para se tornar o candidato a vice de  José Serra(PSDB) nas eleições municipais de 2004. Sem citar Kassab nominalmente, Alckmin lembrou da sucessão de episódios que culminaram no lançamento da chapa Serra/Kassab para a Prefeitura, em um momento em que as relações PSDB/DEM- históricos aliados - andam estremecidas com a troca de farpas entre os candidatos.   Veja Também: Especial: Perfil dos candidatos  Blog: propostas dos candidatos de São Paulo na sabatina do 'Grupo Estado' Vereador digital: Conheça os candidatos à Câmara de SP  Tire suas dúvidas sobre as eleições de outubro   "Serra queria como candidato (a vice) Lars Grael. Depois, se acertou e estava escolhido Alexandre Moraes. Foi um golpe na véspera da eleição, Serra quase desistiu de ser candidato", afirmou. E alfinetou: "Não é a forma adequada de se fazer as coisas. Você participa de reuniões, participa de conjunto e, por baixo do pano, trama para derrubar alguém.Não é papel correto nem de adversário."   Alckmin também citou o episódio da eleição de Rodrigo Garcia (DEM), tradicional aliado de Kassab, para a presidência da Assembléia Legislativa em 2005. Ele também o acusou de ter dado "um golpe" junto com o PT para levar a presidência da Casa. Na época, o candidato da base do governo era Edson Aparecido (PSDB), atual coordenador da campanha do tucano. O PT decidiu lançar Garcia, que era coordenador da campanha de Aparecido, para concorrer ao cargo. Garcia venceu por um voto de diferença. Elevando o tom das críticas contra o DEM, Alckmin chamou o partido de "Demos", expressão utilizada pela adversário do PT, Marta Suplicy. "Os Demos estão unidos lá com o PT", acusou.   Apesar da estratégia de lembrar a relação entre Kassab e o ex-prefeito Celso Pitta, Alckmin disse não se sentir constrangido em ter como vice Campos Machado, um político do PTB, partido de Pitta. Ele elogiou o partido, afirmando que foi "o único que apoiou Covas em 1998", e insistiu: "Kassab estava com Maluf, como também estava com Pitta em 1996 e virou seu secretário. Quem estava conosco foi o PTB." Entretanto, Alckmin ressaltou: "Não há crítica de ninguém sobre o ponto de vista pessoal."   O tucano minimizou a pesquisa do DataFolha divulgada na quinta-feira, que mostrou empate entre ele e Kassab. Alckmin disse ver um "momento novo na campanha". Lembrando que faltam apenas 16 dias para o primeiro turno, avaliou: "Agora é que vai definir votos, e estou muito animado. Acho que começamos um crescimento na hora certa", disse, referindo-se à oscilação de um ponto na pesquisa. Alckmin afirmou ver boas perspectivas de chegar ao segundo turno.   Para o tucano, a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na campanha de Marta, amanhã, em novo comício, não é uma ameaça. "Não muda nada, avaliou. E emendou: "Acho normal que ele apóie um candidato do seu partido". Mas aproveitou para destacar que "Lula não é presidente do PT, é presidente do Brasil", e prometeu que, se for eleito, irá fazer um bom trabalho em conjunto com o governo Federal.   Alckmin participou de ato com portadores de deficiência física, nessa manhã, no centro da capital. Ele percorreu a rua Barão de Itapetininga entre a Praça da República e o Teatro Municipal, com cerca de 15 pessoas em cadeiras de rodas. Alckmin empurrou uma cadeira durante todo o trajeto, que foi dificultado por vendedores ambulantes. A ato chamou atenção de curiosos, mas poucos aderiram à "cadeirada", que foi acompanhada de diversos cabos eleitorais. Depois, Alckmin participou de almoço com o Rotary Club.

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