Alckmin foca ataques no 'Padilha do PT' e lembra petistas presos

Alckmin foca ataques no 'Padilha do PT' e lembra petistas presos

Após críticas seguidas a Paulo Skaf, campanha tucana usa horário eleitoral do rádio para associar Alexandre Padilha a mensalão; adversário coloca na TV pela 1ª vez declaração de apoio de Dilma

Valmar Hupsel Filho, Ricardo Chapola e Lilian Venturini, O Estado de S. Paulo

22 de setembro de 2014 | 15h22


Atualizada às 22h28

São Paulo - A campanha do governador e candidato à reeleição, Geraldo Alckmin (PSDB), mudou de foco e fez nesta segunda-feira, 22, as mais contundentes críticas a um adversário desde o início da campanha. No programa de rádio do tucano, um locutor afirmou que o petista Alexandre Padilha foi “incompetente” à frente do Ministério da Saúde e lembrou que dois ex-candidatos do PT ao governo de São Paulo hoje estão presos - referência indireta a José Dirceu e José Genoino, que cumprem pena por envolvimento no mensalão.

Esta foi a primeira vez que a candidatura do tucano, que lidera a disputa, partiu para cima do petista, terceiro lugar nas pesquisas. Até então, a mira tucana estava voltada ao segundo colocado, Paulo Skaf (PMDB). A mudança de foco ocorre no momento em que o petista esboça um crescimento discreto, mas suficiente para acender o alerta na campanha tucana. 

Com 8%, segundo pesquisa Ibope divulgada no dia 9, Padilha está a 40 pontos porcentuais do tucano, que tem 48% e venceria no 1º turno. Skaf está entre os dois, com 23%. Pesquisas internas do PT e PSDB, entretanto, apontam que o petista teria atingido nesta semana os dois dígitos nas intenções de voto, enquanto Skaf permanece estável. No PSDB, a ordem é “administrar” o crescimento de Padilha para evitar que ele se torne uma ameaça à vitória tucana em uma só votação.

Além disso, integrantes da coordenação da campanha de Alckmin avaliaram que era preciso responder às “farsas” expostas por Padilha durante o programa eleitoral. Tucanos prometem “engrossar o chumbo” à medida que o petista fizer mais ataques ao governador. Desde o início da campanha o petista tem criticade o tucano e, nas últimas semanas, tem centrado fogo no Bilhete Ônibus Metropolitano (BOM) e no programa de monitoramento Detecta.

Integrantes da campanha petista acreditam que as críticas à propaganda tucana surtiram efeito, mas há quem defende ataques mais incisivos ao governador. Padilha resiste. Em reunião partidária, na semana passada, o candidato argumentou que tem crescido nas pesquisas e Skaf, que vinha protagonizando os embates mais duros da campanha com Alckmin, estacionou nos levantamentos eleitorais.

‘Incompetente’. Alckmin partiu para o contra-ataque no programa de rádio exibido na manhã desta segunda e parte dele repetido na TV, à noite. A propaganda do tucano explorou o sentimento anti-PT e buscou colar em Padilha a pecha de “incompetente” como ministro da Saúde. “É, gente, aqui é São Paulo, incompetência do PT, aqui, não! Vocês sabiam que, dos últimos quatro candidatos que o PT apresentou para o governo de São Paulo, dois estão presos? Pense nisso”, diz o locutor, em referência aos petistas presos após o julgamento do mensalão. 

Pouco antes, o programa simulou um diálogo em que os interlocutores afirmam que Padilha “não teve competência nem para administrar o Ministério da Saúde”. Na propaganda, o petista é acusado de fechar mais de 8 mil leitos de hospitais no País e não mandar “um tostão para as Ames de São Paulo”.

“Quando ele deixou o ministério, o governo tinha R$ 12 bilhões para gastar com a saúde e, por pura incompetência, não fez”, afirmam. A propaganda toca uma paródia da cantiga de roda, de domínio popular, Samba Lelê. “Deixou a saúde doente, deixou ela toda quebrada. Santa incompetência Padilha, santa incompetência PT. Padilha e o PT incompetentes. Eles mentem pra você”. 

A assessoria de Padilha informou que o Ministério da Saúde não fechou leitos e que todos os recursos disponíveis em sua gestão foram empregados. Em visita a estação de tratamento de esgoto em Várzea Paulista, Alckmin foi questionado sobre os ataques a Padilha, mas não comentou o assunto.

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