Alckmin entre o tom 'firme' e 'conservador'

Especialistas analisam declarações recentes sobre punição para menores e 'guilhotina' para corruptos

Lilian Venturini, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2013 | 02h10

Defesa de policiais militares que mataram quase uma dezena em um confronto, pedido de punições mais rigorosas para adolescentes infratores e alusão a "guilhotina" para político corrupto. Esse é o governador paulista Geraldo Alckmin (PSDB) dos últimos meses.

Alckmin quer criar uma nova marca à sua imagem, diz o cientista político Pedro Fassoni Arruda, professor da PUC-SP. "Ele, em parte, está tentando buscar um espaço e acompanha a opinião pública. É uma bandeira", diz Arruda.

"Quem não reagiu está vivo", disse o tucano no fim de 2012 após ação da Rota, a tropa de elite da PM paulista, que deixou nove mortos. A declaração ocorreu pouco tempo depois de uma série de ataques envolvendo integrantes de uma facção criminosa. Era uma reação a uma percepção que viria a ser calculada por pesquisas dois meses depois: o governo perdia popularidade por causa da violência no Estado.

Em abril, diante de crimes bárbaros envolvendo menores de 18 anos, Alckmin adotou discurso favorável ao endurecimento da punição de jovens. "É um clamor da sociedade e precisamos dar uma resposta", disse o tucano quando entregou no Congresso uma proposta de alterar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Não à toa, outra pesquisa de opinião mostrava que 93% dos paulistanos apoiavam a redução da maioridade penal.

Ao enfatizar a temática da violência e adotar um tom mais duro, Alckmin, candidato à reeleição, fala não só para o paulistano mas para o interiorano, de acordo com analistas.

"Alckmin percebe que há uma espécie de vácuo. O fato é que nossas eleições se transformaram em eventos midiáticos. Consegue mais voto quem consegue a palavra de ordem ideal. É o que ele está tentando fazer", diz Roberto Romano, professor do Instituto de Filosofia da Unicamp, especialista em ética e política.

Há uma semana, no lançamento de um programa de apoio aos municípios na implantação de portais de informação e transparência pública, atacou a corrupção: "Ia faltar guilhotina para a Bastilha, para cortar a cabeça de tanta gente que explora esse sofrido povo brasileiro".

Para o marqueteiro Augusto Fonseca, que já atuou em campanhas tucanas e petistas, as declarações podem indicar uma investida para a construção de uma imagem de firmeza, não necessariamente conservadora. "É algo que o eleitorado gosta, de uma postura firme. A própria Marta Suplicy (ex-prefeita de São Paulo e hoje senadora) é um exemplo disso, há um setor que adora essa característica", afirma Fonseca.

Romano pondera que, apesar do apelo, um perfil linha dura também pode se transformar em armadilha. "Alguém que apareça como uma figura policial não ganha simpatia. Pode se transformar em sujeito chato", diz o professor. A "guilhotina para corruptos", por exemplo, chegou a causar certo constrangimento entre correligionários.

O governador diz, por meio de assessores, que sempre foi "protagonista na defesa dos interesses da população".

"Conservador" ou "firme", o fato é que, muito tempo antes da campanha, Alckmin deixou de lado seu figurino "chuchu", um apelido que ganhou por conta de posições um tanto insossas. Aliados agora esperam para ver como será na eleição do ano que vem.

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