Alckmin e Kassab polarizam debate por 2º turno com Marta

Tucano e atual prefeito aparecem tecnicamente empatados e trocaram acusações no debate da Rede Record

Andréia Sadi e Giuliana Vallone, do estadao.com.br,

28 de setembro de 2008 | 22h51

O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, mirou o candidato do DEM e atual prefeito, Gilberto Kassab, no debate da Rede Record neste domingo, 28. Os dois lutam por uma vaga no segundo turno com a candidata do PT, Marta Suplicy. Alckmin e Kassab aparecem tecnicamente empatados na última pesquisa Ibope contratada pelo Estado e pela TV Globo. Porém, enquanto o candidato do DEM registra trajetória ascendente, Alckmin vem caindo a cada sondagem.  Veja também:Blog: Leia os principais pontos do debate na Rede Record  Galeria de fotos dos candidatos no debate  Ibope: Confira os números da pesquisa  Análise: Marqueteiro aponta polarização na reta final da disputa em São Paulo  Enquete: Quem ganha com a briga dos dois?  Perfil dos candidatos de SP  Contra Marta, PSDB decide fechar apoio a Gilberto Kassab no segundo turno  Talvez por conta disso, Kassab não quis ser o primeiro a provocar o tucano no debate. A uma pergunta sobre a crítica do tucano de que "ele não tem consciência", Kassab apenas disse que tem coerência na vida pública. No comentário, Alckmin não desconversou: "Eu quero esclarecer. Sou do PSDB, Kassab é do DEM (..) O aliado do Kassab é o Quércia. Coerência é importante, PSDB nasceu com Covas (ex-governador) para recuperar o governo da irresponsabilidade, o PSDB tem compromisso. Estamos preparados para vencer o PT no segundo turno".  Foi aí que Kassab resolveu responder: "Até duas semanas atrás, antes de cair nas pesquisas, ele não tinha esse discurso. Ele escolheu o vice do Serra e me aplaudiu, me convidou para participar de seu governo, e compor seu governo. Chegou a me convidar para ser candidato a governador apoiado por ele". Alckmin evitou comentar um eventual apoio de Kassab no segundo turno e negou que havia o convidado a ser governador do Estado. Como posso convidar alguém se ele é do DEM, e eu do PSDB?", disse. Em resposta, Kassab disse que após a queda nas pesquisas, o tucano está "irreconhecível". Em outro momento, Alckmin voltou questionar o atual prefeito sobre as 158 mil crianças fora das creches e das Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEIs): "É vergonhoso". Em resposta, Kassab afirmou: "Você está mal informado, são 80 mil crianças. Na gestão da Marta não havia centralização das matrículas e esse número aumentou. Na nossa gestão foram criadas 50 mil vagas, e temos um compromisso de zerar o número de crianças sem vagas na próxima gestão", disse.  O prefeito devolveu a crítica afirmando que, "quando ele (Alckmin) fala, até parece que não teve responsabilidade na vida pública antes, afinal ele poderia ter ajudado a Prefeitura enquanto era governador do Estado, como faz o José Serra", disse. Após a crítica de Kassab sobre as escolas de lata que seu governo teria deixado, Alckmin (PSDB) afirmou que "Kassab sempre ataca quando não tem mais direito de resposta". "O governo do Estado não tem escola de lata, o governo do PSDB é aprovado pela população há 16 anos. A constituição é clara, criança de 0 a 5 anos é responsabilidade da Prefeitura", disse.  "Eu larguei o Pitta e hoje ele (Alckmin) está com o Pitta", cutucou Kassab, que foi secretário na gestão do ex-prefeito. Celso Pitta pertence ao PTB, partido do vice de Alckmin, Campos Machado. O tucano rebateu: "Quero dizer que me ligar ao Pitta é piada. Quem apoiou Pitta foi Kassab, hoje é fácil ser amigo do Serra, ele é poderoso, governador. Mas fui eu quem apoiei o Serra em 1996, e ele foi derrotado. Kassab e sua vice (Alda Marco Antonio, do PMDB), inclusive, a chapa toda apoiou Pitta."  Marta Suplicy Marta também voltou a ser questionada pelas taxas do lixo e de luz que criou quando foi prefeita da cidade (200-2004) e respondeu com irritação e ironia. A petista lidera as pesquisas e, no último levantamento, registrou 35% das intenções de voto. "Eu fiz a taxa, falei que foi erro e não vou mais fazer. Tenho palavra", afirmou. "O governo do Estado tem o pedágio, que é um tipo de taxa. Foi feito pelo PSDB", atacou. Kassab também atacou Marta. Disse que a ex-prefeita faz promessas que não cumpre. "Ela fez as mesmas promessas de 8 anos atrás, mas não fez metrô, hospitais, criou novas taxas, tributos e agora assume esse compromisso. Mas falta coerência a ela, ela deveria estar em Brasília para votar contra CSS (nova CPMF)." Marta subiu o tom: "Kassab, a sua propaganda enganosa chega ao vivo e em cores aqui e agora. Você consegue falar em aumento de imposto, mas seu partido e FHC aumentaram mais que todos. Vem falar da taxa pra mim? Deus me livre!".  A petista discordou quando Alckmin disse evitar colocar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa municipal. A eleição não é federal, isso (do presidente Lula) é só em 2010, Lula não é presidente do PT, é do Brasil". A resposta se refere a uma inserção na TV de Alckmin, em que o apresentador afirma: "Lula, tudo bem, mas o problema é o PT". A petista Marta Suplicy, no entanto, rebateu a resposta de Alckmin e disse que eleição municipal tem "conotação federal, sim". "Ele (Lula) trouxe mais dinheiro para São Paulo que FHC, e podemos buscar o recurso. Temos afinidade". Marta insistiu na idéia de que Kassab copia suas propostas. "Olha, ele copia mesmo, e copia mal. Porque muitas delas ele até continua e continua mal. Demorou quase dois anos para continuar os CEUs, e agora diz que entregou 13 CEUs", afirmou.  Ao ser questionada pelo candidato do PSOL, Ivan Valente, sobre o PT estar copiando "coisas da direita", como "as intensas privatizações", Marta afirmou: "A gente não copia não, a gente inova. Quem fez o Bilhete Único? Eu. Quem fez o CEU? Eu. (...) Falar em copiar comigo não tem não. A gente inova, a gente ousa. São Paulo passou quatro anos sem acompanhar o crescimento do Brasil, e agora vai voltar a fazê-lo".  Maluf x Soninha Soninha Francine (PPS) e Paulo Maluf (PP) também trocaram farpas no debate. Ele disse que discordava da proposta sobre o uso de bicicletas. "A solução é melhorar o trânsito, obras viárias, o Freeway, a velocidade dos corredores, construir mais metrô. Isso sim, a bicicleta é louvável, mas não é solução", declarou. Provocando a candidata, Maluf questionou qual era "sua proposta para eliminar drogas na porta de escolas da cidade?". Soninha não caiu na provocação. Sobre o uso de drogas nas escolas, respondeu: "É possível investir na cultura, por exemplo, para evitar uso". Em outro momento, Soninha citou uma entrevista da revista "Istoé", na qual Maluf critica gestões anteriores. Ele, em sua resposta, acusou Soninha de ter trocado de partido - ela migrou no começo do ano do PT para o PPS. "Você foi eleita pelo PT, e você no meio do caminho saiu do PT e foi para o PPS. É você quem deve responder pela infidelidade partidária, para mudar de partido, quais os encantos para mudar partido", cutucou.  Soninha disse que já deixou claro porque deixou o partido e comentou novamente a declaração feita durante sabatina do Grupo Estado, de que vereadores da Câmara Municipal de São Paulo receberiam dinheiro em troca de votação de projetos. "O senhor não leu minha entrevista para o Estadão, eu não disse nada de novo, eu só não neguei o que todo mundo está cansado de saber", disse. Na sua última resposta, Maluf "defendeu Marta, Serra e Kassab. "Eles não compraram nenhum dos seus colegas. Estou na política ha 41 anos, e nunca tive encantos para mudar de partido", finalizou.  A candidata do PPS ironizou Maluf: "Se não me engano, você não poderia deixar o país". "Não é verdade que não há processos contra você. E muito por ma administração pública", completou. Maluf respondeu: "Sou inocente das acusações".  Reichmann e Valente O candidato do PSOL, Ivan Valente, disse que o debate é uma boa oportunidade para explicar aos eleitores as diferenças entre os candidatos. "Temos falado com a sociedade paulistana que, a única candidatura que tem o SUS é a nossa. Não é radical, manda cumprir a Constituição. Na educação, é preciso voltar a gastar mais, foi reduzida nas (gestões) anteriores. Em seu comentário, Renato Reichmann (PMN) disse que os candidatos só conseguem pensar grande e deixam o "óbvio" de lado. "Nós só conseguimos pensar grande, não pensamos no óbvio, nos grandes investimentos e esquecemos do ser humano." Ivan, em sua tréplica, voltou a criticar as propostas dos candidatos. "Quem tem dito que as propostas são parecidas não sou eu, é toda a imprensa. São muito mesmo, os candidatos passam a idéia que São Paulo precisa de outro gerente, nós queremos outro projeto político, não outro gerente", concluiu.  Valente e Maluf Valente iniciou o terceiro bloco do debate afirmando que "se deixasse Paulo Maluf governar São Paulo, não ia ter espaço para árvore nem para coqueiro, ia ser só cimento". Maluf retrucou: "Não me parece que você já esteve no Executivo, e a verdade sobre a saúde pública é a seguinte. Quem trabalha numa empresa particular tem plano de saúde da empresa. Quem não trabalha, tem que ter o plano de saúde do governo. A verdade é: Com SUS, sem SUS, com PAS, sem PAS, no meu governo o pobre era atendido quando precisava". Na hora da réplica, Valente afirmou que não se pode usar sua experiência na gestão pública para o mal. "Esse tipo de experiência é uma negação. Saúde não é negócio, é direito", afirmou. Ciro Moura O candidato Ciro Moura, do PTC, voltou a defender o Plano Saúde Livre Escolha (Plus), que prevê a contratação de profissionais particulares para atender a população. "O Projeto é o Livre Escolha, até para acabar com o preconceito de que pobre precisa ter educação ruim, saúde ruim, habitação ruim. Esses conjuntos habitacionais em que só falta colocar uma placa 'habitação de pobre'", disse. "O poder público já mostrou sua incapacidade gerencial."  Afirmou que a política permite derrotas eleitorais, e que vai continuar tentando cargos públicos. "A eleição será no dia 5. A política se faz todo dia, eleição de tempos em tempos. E a política permite derrotas eleitorais. Até porque, se isso os eliminasse, vários dos candidatos não estariam aqui", disse. "Nunca recebi tanto apoio na rua. Meu lema é tentar sempre. O que eu não posso é me omitir." Ciro criticou os candidatos presentes, dizendo que "não tem um tostão de dinheiro público na minha vida. Não se pode dizer o mesmo da maioria que está aqui". "Os campeonatos não são feitos de um time só. Na última eleição eu não era nem citado, e tive 140 mil votos. O importante de ter a diversidade de candidatos é a diversidade de exposição de idéias", completou Reichmann.

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