Alckmin e Afif tornam rivalidade explícita

Escalado pelo Bandeirantes, secretário que substituiu o vice em pasta estadual rebate críticas sobre fracasso de programa de desburocratização

FERNANDO GALLO, BRUNO BOGHOSSIAN, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2013 | 02h01

O clima de rivalidade entre o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e o vice-governador e ministro Guilherme Afif (PSD), já conhecido nos bastidores, tornou-se evidente ontem após as acusações de Afif de que o governo estadual "abandonou" o projeto de desburocratização lançado por ele em 2007 quando era secretário estadual do Trabalho. O governo estadual reagiu com vigor às declarações do vice sobre o programa de desburocratização.

Escalado pelo Palácio dos Bandeirantes para responder a críticas feitas por Afif, o atual secretário de Desenvolvimento Econômico, Luiz Carlos Quadrelli, afirmou, por e-mail, que "só mesmo uma confusão mental ou um mal-entendido podem explicar as declarações" do vice-governador. A nota atinge, ainda, o ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), principal aliado de Afif que deve disputar com o governador Geraldo Alckmin a eleição em 2014 no Estado.

Na quinta-feira, reportagem do Estado mostrou que o plano do vice para reduzir a burocracia na abertura de empresas só foi implantado em 23 cidades, ou seja, não atinge nem 4% dos municípios paulistas.

Em sua defesa, Afif disse que "faltou respaldo" do governo estadual, que o projeto "não foi colocado como prioridade máxima", e que ele "não está fracassado porque nem sequer foi implantado". Afirmou, ainda, que foi "demitido" por Alckmin da Secretaria de Desenvolvimento Econômico por razões políticas após a criação do PSD.

Ontem, horas antes de o secretário rebater o vice-governador, Afif se reuniu com o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), para lançar o mesmo projeto na capital paulista, comandada pelo PT. Vice de um governo tucano, ele entra na discussão representando a União como ministro de um governo petista.

Já o governador Geraldo Alckmin, questionado ontem sobre a polêmica, foi lacônico: "Sobre esse assunto, não tenho nenhum comentário".

Kassab como alvo. Ao sustentar que a secretaria teve "dificuldades" para implantar o programa "na capital, então administrada pelo líder político do Afif", Quadrelli declarou que "por questões burocráticas e talvez um pouco de má vontade, a gestão Kassab nunca conseguiu viabilizar a adesão do município". "Parece que houve politização onde não devia."

"É até curioso ele fazer essas críticas, sendo que, quando saiu da secretaria, deixou sua equipe de confiança cuidando dos programas", continuou o atual titular da pasta. "Se houve algum abandono - o que não foi o caso -, a culpa seria da própria equipe dele", disparou.

Foi a primeira vez que o Palácio reagiu a Afif desde a entrada no governo da presidente Dilma Rousseff (PT).

Embora incomodado com a entrada do vice no ministério petista, Alckmin orientou o governo a não polemizar publicamente com Afif e nem enfrentá-lo. Os tucanos temem que qualquer ação contra o vice seja entendida como um "rolo compressor" que transformaria Afif em "vítima" da história.

Nada concreto. Afif ligou ontem para Haddad para pedir o encontro. A reunião não estava prevista na agenda do petista, divulgada anteontem à noite.

Foi um gesto político de aproximação ainda maior com o PT, que sinalizou o desconforto de Afif dentro do governo tucano. De concreto, porém, o vice-governador e Haddad não tiraram metas nem um plano de trabalho, apenas o prazo de 15 dias para a assinatura de um "protocolo de entendimento" entre a União, o Estado e o município. "Vamos formatar um plano de trabalho para ao longo do mandato galgarmos degraus importantes", declarou o prefeito.

Em entrevista, Afif cometeu uma gafe ao afirmar que "soube" que Quadrelli, "está sendo trocado", e que, por causa disso, tomou a "providência" de ligar para o futuro secretário de Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Garcia (DEM), para dizer que está empenhado em ajudar a cidade de São Paulo a reduzir a burocracia. Atual secretário estadual de Desenvolvimento Social, Garcia assumirá a pasta, mas ainda não foi oficializado por Alckmin no cargo.

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