Alckmin diz que é cedo para oficializar candidato tucano

Governador paulista, que quer reeleição, manifesta apoio a Aécio na disputa ao Palácio do Planalto, mas acha prematuro lançá-lo já

O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2012 | 02h05

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou ontem ser "cedo" para discutir o nome do candidato tucano à Presidência da República em 2014. Anteontem, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), lançaram o senador Aécio Neves (MG) na disputa pelo Palácio do Planalto.

"Eu acho o Aécio um grande nome, foi um grande governador de Minas Gerais, é um senador de honra do Brasil, um grande nome. Tem todas as qualificações para tamanha responsabilidade, mas acho que essa questão de escolha de candidato tem de ser mais para frente. Mais para a segunda metade do ano que vem", disse Alckmin em visita a Cubatão, na Baixada Santista, segundo o Valor Online.

O governador disse ainda não ser "favorável a antecipar disputa eleitoral". "Acho que encurta o governo", completou.

Aécio também manifestou que não pretende antecipar a corrida eleitoral. Em resposta aos tucanos que o lançaram candidato na segunda-feira, o senador mineiro afirmou que "cumprirá seu papel", mas declarou que não vai "queimar etapas".

Alckmin e Aécio já conversaram sobre a indicação do mineiro para disputar a Presidência. Em agosto, reuniram-se com FHC em São Paulo, quando discutiram a questão ao lado de Guerra, do governador mineiro, Antonio Anastasia, e de Tasso Jereissati, presidente do Instituto Teotônio Vilela (ITV).

Na ocasião, o mineiro questionou o governador paulista sobre sua intenção de disputar o Planalto em 2014. Disse que, se Alckmin quisesse concorrer à eleição, ele o apoiaria. O paulista, que pretende concorrer à reeleição daqui a dois anos, manifestou apoio ao mineiro. "Conte comigo", teria dito.

Em sua articulação para se colocar como candidato à Presidência, Aécio conversou com outros paulistas, inclusive o ex-governador Alberto Goldman, ligado a José Serra, candidato derrotado do PSDB à Prefeitura. Telefonou para ele na semana passada, num aceno de unificação partidária. O mineiro também pretende se encontrar com Serra ainda neste ano, assim que o paulista voltar de viagem com a família para os Estados Unidos.

O grupo de Alckmin não resiste à ideia de Aécio ser o candidato do partido. Inclusive a avaliação é a de que é a vez do mineiro. O governador paulista é cotado para disputar a Presidência em 2018, quando aí poderá protagonizar um embate com o mineiro.

Ontem, durante reunião da executiva do PSDB, a iniciativa de lançar Aécio como candidato também foi elogiada pela cúpula tucana. Na segunda-feira, Fernando Henrique havia dito que era hora de o mineiro assumir "suas responsabilidades": "A hora é já. É agora. O nome do PSDB, hoje, é do Aécio. A meu ver, desde já, ele tem de assumir suas responsabilidades, não de candidato, mas de líder do partido, para ele poder começar a percorrer o Brasil imediatamente".

O presidente do PSDB seguiu o mesmo raciocínio. "Aécio é o candidato da grande maioria do PSDB. Ele deve ser o presidente do partido, é o chefe que precisamos e o líder que desejamos. Não estamos diminuindo ninguém, mas Aécio é o candidato que o PSDB tem para presidente da República", disse Guerra. "Ele é defendido por 99% de todos os integrantes do PSDB."

Tempo. Apesar da articulação nos bastidores, Aécio quer evitar a antecipação da discussão sobre a Presidência da República em 2014. Avalia que não tem nada a ganhar expondo seu nome dois anos antes da disputa.

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