Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Alckmin destaca amizade com Jefferson em convenção que oficializa apoio do PTB ao tucano

Presidente do partido formaliza apoio do PTB ao candidato tucano à Presidência e diz que ele guiará o país à 'terra prometida'

Julia Lindner, Téo Cury, Marcelo Osakabe e Ana Neira, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2018 | 11h28
Atualizado 28 de julho de 2018 | 13h31

BRASÍLIA - Em discurso de pouco mais de 15 minutos no evento que oficializou o apoio do PTB ao PSDB na corrida à Presidência da República, o pré-candidato tucano, ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, destacou sua amizade de trinta anos com o presidente do PTB, Roberto Jefferson (RJ) e afirmou que, neste período, o presidente da sigla 'nunca o pediu nada'.

“Tenho o privilégio de conviver e conhecer o Roberto há 30 anos. Chegamos juntos na Assembleia Nacional Constituinte. É um homem de coragem. E a coragem é a maior das virtudes. Assim como eu nunca o pedi nada, ele também não me pediu nada quando me designou relator das leis mais importantes que reformaram a Carta Magna do Brasil”, disse Alckmin.

O ex-governador afirmou que o partido foi o primeiro a declarar que trabalharia junto ao PSDB na corrida ao Planalto. Aos cerca de 300 presentes, Alckmin se comprometeu a incorporar ao programa de seu eventual governo o discurso de Jefferson.

“Estamos fazendo grande aliança para o Brasil sair da desesperança, do desencanto e da tristeza, para crescer e para que as pessoas tenham emprego e renda para melhorar suas vidas. Estaremos unidos na campanha e depois para fazer um grande governo, que honre as tradições do PTB, que não deixe ninguém para trás. Que tenha como centro o trabalho, o emprego e a renda. Precisamos do PTB. Aqueles que veem aliança com olhar mesquinho estão enganados. Estamos aqui para servir o Brasil.”, disse Alckmin.

Em seu discurso, o ex-governador destacou a necessidade de implementar reformas estruturantes. “Precisamos das reformas. Kennedy dizia que a mudança é a lei da vida. Temos que sair desse marasmo. Em 1º de janeiro, teremos propostas macro e micro para abraçarmos. Não tem crescimento se não tivermos investimento. Se não tiver investimento, (País) não vai crescer. Para ter investimento, precisa de confiança, fruto de trabalho, perseverança para avançar.”

Alckmin também criticou o período petista no Planalto. “Fez o Brasil não só andar de lado, como caranguejo, mas para trás. Isso porque perdemos 8% da renda e ganhamos 13 milhões de desempregados. Vamos deixar de lado os pesadelos do passado, olhar o futuro, o amanhã. Desenvolvimento é novo nome da paz.” Respondendo às críticas do PT diante da sua aliança com os partidos do Centrão, Alckmin disse que "quem escolheu (Michel) Temer foi o PT". "Não fui eu que escolhi, Temer era vice do PT", reagiu o tucano ao ser questionado sobre a afirmação de que a coligação com siglas como PP, PR e DEM, que compõem a base aliada do governo atualmente, formaria uma gestão "Temer sem Temer".

Apoio ao PSDB

Antes do discurso de Alckmin, o presidente do PTB, Roberto Jefferson, afirmou que o partido vê o pré-candidato tucano como o "líder capaz de tudo, como Moisés no deserto a nos guiar à Terra Prometida". Durante discurso na convenção, ele saudou Alckmin e a mulher, dona Lu, como "o futuro presidente e a primeira-dama do Brasil". 

"De ruptura em ruptura urge necessidade de construirmos condições positivas para iniciar novo ciclo de reformas. E é Geraldo Alckmin que o PTB vê como líder capaz de tudo, como Moisés no deserto a nos guiar à Terra Prometida. Ele não é um salvador da pátria, nem aventureiro, nem showman, nem principiante. A identidade do PTB com Alckmin vai além das identidades nas reformas, nos une também o princípio da administração pública focada na cidadania", declarou Jefferson. Na convenção, Alckmin foi recebido aos gritos de "é o meu Brasil, cara da gente, Geraldo para presidente".

Jefferson, que teve mandato cassado por participação no esquema de corrupção conhecido como Mensalão, durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criticou os governos petistas e afirmou que eles "lamentavelmente demoliram o tripé da economia deixado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso". "Migalhas para os pobres e benesses para os amigos do rei", disse Jefferson. 

Para o líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes, Alckmin chega "com carisma" e com o trabalho que desenvolveu como governador de São Paulo e consegue "fazer unidade importante do PTB". "Pela primeira vez vamos ter bancada muito unida para apoiar presidência da República", disse Jovair.

Busca por vice

Na noite da última quinta-feira, 26, Alckmin teve uma reunião com Jefferson. A conversa aconteceu no mesmo dia em que o tucano recebeu oficialmente o apoio de PP, PRB, PR, DEM e Solidariedade para sua campanha.

A conversa ocorreu em meio à procura por um vice para a chapa do tucano. Alckmin chegou a sinalizar que "não obrigatoriamente" seu vice precisará ser um nome indicado pelo Centrão. Essa possibilidade abre espaço para indicação de outros partidos que estão na aliança tucana, como o próprio PTB, o PSD, o PPS ou até o PV, cujo apoio é dado como certo no partido.

Prioridades

O coordenador do programa de governo de Geraldo Alckmin, Luiz Filipe D'Ávila, afirmou que a campanha do PSDB nacional deve priorizar, a partir de agosto, os Estados de São Paulo, Minas Gerais e Região Sul do país. "Vamos focar nos maiores colégios eleitorais e onde o Geraldo é mais conhecido para impulsionar as pesquisas e a capacidade de conseguir votos", disse. Na última pesquisa CNI/Ibope, divulgada no mês de junho, o tucano aparece com 6% das intenções de voto.

Para D'Ávila, que neste sábado participa da convenção estadual do partido em São Paulo, a vitória de João Doria como governador é fundamental para o sucesso da campanha presidencial. "A vitória em SP assegura a vitória à Presidência e devemos aproveitar a popularidade do Geraldo aqui para que isso aconteça".

A convenção em São Paulo está atrasada. O mestre de cerimônias pede constantemente que os delegados votem, porque ainda não há quórum para iniciar a convenção. Do lado de fora do local, há um tumulto. Dezenas de pessoas estão na calçada e na rua e são impedidas de entrar. O centro de eventos na zona Oeste de São Paulo já está bem cheio.

Também presente no evento, o deputado Floriano Pesaro, que vai disputar a reeleição, minimizou a queda de popularidade de Doria na capital após o ex-prefeito deixar o cargo com pouco mais de um ano de mandato. "A capital é um dos lugares com maior investimento do governo do Estado. Vamos mostrar que o paulistano perdeu um prefeito, mas ganhou um governador", minimizou.

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