Alckmin descarta apoio a Afif e diz ainda esperar Serra

Em reunião com o DEM, governador disse ter avisado a Serra que PSDB terá candidato próprio na eleição para a Prefeitura

JULIA DUAILIBI, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2012 | 03h02

Em encontro no Palácio dos Bandeirantes com a cúpula do DEM domingo à noite, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse esperar que o ex-governador José Serra reveja sua posição de não disputar a Prefeitura e descartou aliança com o PSD tendo o ex-governador Guilherme Afif Domingos na cabeça de chapa.

A entrada de Serra na disputa, disse Alckmin, evitaria a realização das prévias, em março. O governador também contou que, na reunião que teve com Serra há cerca de dez dias, afirmou que o partido deve ter candidato próprio, do contrário se enfraquecerá. Tucanos ligados a Serra defendem aliança tendo o vice-governador na cabeça de chapa.

No encontro com o presidente do DEM, José Agripino Maia (RN), o senador Demóstenes Torres (GO) e o deputado ACM Neto (BA), Alckmin disse esperar que Serra dê algum sinal sobre a disputa até o dia 14, quando serão encerradas as inscrições nas prévias, dificultando ainda mais a reversão do processo.

Serra já avisou aos principais aliados que não pretende disputar. Na última semana, diante da ameaça do PSD de Gilberto Kassab de se aliar com o PT, o governador pediu a emissários que voltassem a conversar com ele, dando garantias de que teria o seu apoio na disputa - há tucanos que avaliam que Alckmin trabalhará nos bastidores pela eleição do deputado Gabriel Chalita (PMDB), de quem é amigo.

De acordo com interlocutores de Alckmin, o lançamento da pré-candidatura de Afif por Kassab, na semana passada, foi um movimento combinado com Serra para pressionar o PSDB a não realizar as prévias. Se a disputa for feita, avaliam serristas, o cenário ficará engessado com pouca margem para negociar com o PSD.

Alckmin está preocupado com o potencial eleitoral dos quatro pré-candidatos: os secretários Andrea Matarazzo (Cultura), Bruno Covas (Meio Ambiente) e José Aníbal (Energia) e o deputado Ricardo Tripoli.

Ontem, em reunião do DEM em São Paulo, Alckmin, que quer o partido apoiando os tucanos, elogiou os aliados e criticou, de maneira indireta, o PSD. "O Brasil não tem vocação para partido único. Não é fácil ser oposição."

"Você não nos faltou, e nós também não faltaremos", retribuiu Agripino em referência a atuação de Alckmin para evitar que o DEM perdesse quadros para o PSD. Só após o PSDB definir o candidato, o DEM vai discutir se fará a aliança com os tucanos.

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