REUTERS/Adriano Machado
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Alckmin defende mudanças no sistema político

O candidato a presidente da República nas eleições 2018 presta depoimento sobre as delações da Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato nesta quarta-feira, 15

Lorenna Rodrigues e Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2018 | 20h54

BRASÍLIA - O candidato a presidente da República nas eleições 2018, Geraldo Alckmin (PSDB), criticou o presidencialismo e disse que a reforma política é a "primeira das reformas". "No presidencialismo, é campanha de baixo nível, é embate de pessoas, canelada. Parlamentarismo discute propostas", afirmou, durante evento com presidenciáveis promovido pela União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (UNECS).

Alckmin disse que o "lado bom" do presidencialismo é a "força do voto" e defendeu que o presidente eleito aproveite o cacife político para fazer reformas. "Pretendo fazer reformas com aliança com grandes partidos. Todo partido tem gente boa, mesmo os de oposição [a ele]", completou.

O candidato defendeu mudanças no sistema político e ressaltou que o mundo inteiro tem parlamentarismo com voto por lista ou voto distrital. Ele disse ainda que o Judiciário errou ao vetar a cláusula de barreira, que restringe a atuação de candidatos ou partidos que não alcançarem porcentual mínimo de votos.

Durante o evento, o candidato disse ainda que reforçará a Polícia Federal e a guarda nacional e vai integrar as inteligências entre os órgãos responsáveis pela segurança pública e entes federativos. 

Para Alckmin, ministros do STF "deveriam dar exemplo"

O candidato do PSDB também criticou a aprovação de uma proposta de reajuste por parte dos ministros do Supremo Tribunal Federal para seus próprios salários, como foi decidido em sessão na semana passada. Alckmin reconheceu que os ministros da Suprema Corte estão sem aumento "há um bom tempo", mas disse que os magistrados deveriam dar o exemplo.

"Problema do reajuste não são os 11 ministros do STF e, sim, o efeito cascata. O reajuste tem grande impacto porque você tem vinculações que não deveriam existir. Claro que o momento não é adequado e quem está no topo da pirâmide deve dar o exemplo", disse, sem responder se vetaria a proposta, caso fosse presidente da República. "Vamos aguardar", emendou.

Alckmin também confirmou presença em depoimento marcado pelo Ministério Público de São Paulo, nesta quarta-feira, 15. A convocação tem relação com inquérito que o investiga por suspeita de improbidade administrativa pelo suposto recebimento de R$ 10,3 milhões de caixa 2 da Odebrecht nas campanhas de 2010 e 2014 ao governo do Estado. A investigação está sob sigilo.

"Vou (ao depoimento), claro. É dever de quem está na vida pública a transparência total", disse. Esta é a primeira vez que o pré-candidato do PSDB à Presidência da República nas eleições 2018 é notificado a depor em São Paulo sobre as delações da Odebrecht no âmbito da Operação Lava Jato. Alckmin já prestou depoimento por escrito sobre o mesmo fato em outro inquérito que tramitava no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e foi remetido para Justiça Eleitoral paulista em abril, depois que dele renunciou ao governo para disputar a eleição e perdeu o foro privilegiado.

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