Alckmin declara voto a Serra em prévia do PSDB

Tucano afirma apoio 'como militante' ao ex-governador um dia após dizer que esperaria resultado do dia 25

O Estado de S.Paulo

18 de março de 2012 | 03h01

O governador Geraldo Alckmin declarou ontem que vai votar em José Serra na prévia do PSDB para a escolha do candidato a prefeito de São Paulo, no próximo domingo. "Enquanto filiado ao PSDB, militante e liderança do partido, o meu voto vai ser para o José Serra", afirmou Alckmin, em evento em São José do Rio Pardo, a 260 km da capital.

Desde a entrada do ex-governador no processo de escolha do candidato tucano, é a primeira vez que Alckmin assume publicamente a preferência por Serra na disputa contra José Aníbal, que é secretário estadual de Energia, e o deputado Ricardo Tripoli. Na véspera, em São Vicente, o governador havia dado afirmação em sentido oposto: "Eu vou seguir a decisão do partido, que agora está bem próxima e, antes disso, não pretendo me antecipar".

O apoio público de Alckmin era defendido por aliados de Serra como necessário para garantir uma vitória expressiva do ex-governador na prévia, como revelou o Estado. Essa estratégia começou a ser discutida em reunião da coordenação da pré-campanha de Serra, no domingo.

O ex-governador ouviu de um aliado que seria bom Alckmin comparecer a um evento da pré-campanha antes da prévia. O grupo acredita na vitória de Serra, mas diz ser necessário um resultado expressivo, para mostrar força e evitar a imagem de partido dividido. Parte de seus aliados, porém, teme que a ação explícita de Alckmin demonstre fraqueza da pré-candidatura.

Na própria sexta-feira, Alckmin decidiu que poderia declarar voto em Serra de uma forma sutil, tomando precauções para evitar atritos ou a impressão de "golpe" contra o processo interno. Por isso a escolha por uma cidade do interior, a ênfase de que era uma posição de "filiado, militante e liderança do PSDB" e de que o "governo não tem candidato, nem o governador".

Chamada. Apesar do cuidado para evitar ruídos no PSDB, Alckmin recebeu uma chamada telefônica de Aníbal tão logo o pré-candidato soube da declaração. "Ele (Alckmin) disse que o governo não vai se mover nos procedimentos. O governador garantiu", afirmou Aníbal, que passou o sábado em campanha nas zonas sul e leste.

"Talvez não fosse preciso (Alckmin) declarar o voto. O Serra sabe que vai perder", disse Aníbal, confiante na vitória. "A militância tem resistência enorme a ele. Serra não tem nada a ver com o partido. Serra governador apoiou o Kassab em 2008, não o Geraldo." Perguntado se estava decepcionado com a declaração, Aníbal afirmou: "Ele tinha reiterado a mim várias vezes que não se manifestaria. Mas eu não quero falar sobre isso".

Acre. Como Alckmin, Serra estava longe da capital ontem: ele foi a Rio Branco, no Acre, e Porto Acre, cidade onde obteve a maior votação proporcional na eleição para presidente, em 2010, com 81% dos votos.

Serra tratou a declaração de Alckmin com naturalidade. "Na verdade, para que eu saísse candidato a prefeito naquele momento, foi muito importante o apoio tanto do governador Alckmin quanto de muita gente do partido", afirmou. "Eu acho que o que ele está expressando agora mostra o apoio que já vem desde o início."

Procurado pela reportagem, Tripoli estava em campanha no extremo sul da capital paulista e não respondeu ao contato até as 23 horas. / BRUNO BOGHOSSIAN, FAUSTO MACEDO, CHICO SIQUEIRA e ITAAN ARRUDA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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