Alckmin baixa o tom e nega ter tido orientação do PSDB

O temor é de que o acirramento prejudique a aliança entre os dois partidos em um possível segundo turno

CAROLINA FREITAS, Agencia Estado

18 de setembro de 2008 | 17h44

Apesar de negar orientação do PSDB para baixar o tom das críticas ao DEM, o candidato tucano à Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin, evitou nesta quinta-feira, 18, criticar o adversário Gilberto Kassab, prefeito e candidato à reeleição pela coligação "São Paulo no Rumo Certo" (DEM-PR-PMDB-PRP-PV-PSC). Alckmin esclareceu que aquilo que foi entendido como ataque à Kassab foi apenas um "contraponto".       Veja Também: Especial: Perfil dos candidatos  Blog: propostas dos candidatos de São Paulo na sabatina do 'Grupo Estado' Vereador digital: Conheça os candidatos à Câmara de SP  Tire suas dúvidas sobre as eleições de outubroA cúpula do DEM se queixou na quarta-feira, 17, à direção nacional do PSDB da atitude agressiva de Alckmin. O temor é de que o acirramento prejudique a aliança entre os dois partidos em um possível segundo turno e até nas eleições presidenciais de 2010. O presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), chegou a chamar Alckmin de "biruta de aeroporto" por mudar o tom da campanha."Não vou responder a grosserias", revidou Alckmin, depois de uma carreata de quatro horas pela zona leste da cidade. "Ninguém do PSDB me pediu absolutamente nada. Pelo contrário, o que sinto é a militância super aguerrida com esse momento novo."De volta à linha "zen", Alckmin se esquivou de responder ainda sobre o pedido de expulsão do partido do deputado federal e secretário de Esportes, Walter Feldman (PSDB). O apoio expresso de Feldman a Kassab irritou os deputados estaduais tucanos Pedro Tobias e Bruno Covas, que pediram ontem a saída dele. "Estou absolutamente zen. Tudo tranqüilo", insistiu Alckmin. "Questões isoladas e partidárias são assunto para o partido."A única alfinetada em Kassab veio quando o candidato da coligação "São Paulo, na Melhor Direção" (PSDB-PTB-PHS-PSL-PSDC) comentou o passado do adversário do DEM. Kassab lembrou que o ex-prefeito Celso Pitta estava em um partido da coligação de Alckmin, ao que o tucano rebateu: "Nunca apoiei o Pitta. Que eu saiba quem o apoiou foi o atual prefeito, que, aliás foi seu secretário de Planejamento." E ironizou: "Ele (Kassab) tem até o dever de defendê-lo."DesânimoNem mesmo todo o esforço de Alckmin em uma carreata de quatro horas pela zona leste da cidade foi suficiente para empolgar os eleitores de uma região tradicionalmente petista. O candidato do PSDB percorreu as principais avenidas de Itaquera até o Tatuapé, mas pouco mais de uma dezena de pessoas foi até o meio da rua apertar a mão do tucano. Outros tantos cruzavam os braços ou devolviam um aceno protocolar ao candidato.Por quatro vezes populares gritaram o nome da adversária Marta Suplicy, da aliança "Uma Nova Atitude para São Paulo" (PT-PCdoB-PDT-PTN-PRB-PSB), e, por duas vezes o de Kassab, em tom de provocação. O comboio de Alckmin passou em frente a um comitê de Kassab, na Avenida Waldemar Carlos Pereira, na Vila Matilde. Quem lá estava fingiu não ver a carreata tucana. Empolgação mesmo só dos cabos eleitorais pagos de Alckmin, posicionados em pelo menos cinco pontos do trajeto.Ao lado do deputado estadual pelo PTB Conte Lopes, ex-capitão das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), Alckmin desfilou em um jipe amarelo. O Troller alugado substituiu o Willys, ano 66 que quebrou ontem em meio a uma carreata na zona sul. O candidato teve de ajudar a empurrá-lo. Hoje, o único percalço - mecânico - foi uma rápida falha no áudio do carro de som.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.