Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Alckmin aproveita visita de governador para dar entrevista como candidato

Segundo assessor da campanha tucana, fatos que ocorrem durante agenda oficial 'não tem nada a ver' com eleição

Ricardo Chapola, O Estado de S. Paulo

06 de agosto de 2014 | 11h08

 Atualizado às 13h31 horas

São Paulo - O governador Geraldo Alckmin (PSDB) aproveitou uma visita feita como compromisso oficial nesta quarta-feira, 6, a uma escola na zona oeste de São Paulo para conceder uma entrevista como candidato à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes após deixar a unidade. 

Desde o início oficial da campanha, a assessoria do Palácio dos Bandeirantes não tem divulgado os compromissos oficiais do governador. A reportagem soube da agenda desta quarta a partir de um aviso enviado pela assessoria de imprensa do comitê de campanha de Alckmin, informando que o tucano daria uma entrevista como candidato após a visita à escola.

"Após visita em colégio credenciado no Programa Vence, que possibilita ao aluno cursar o ensino técnico ao mesmo tempo em que frequenta o Ensino Médio nas escolas da rede estadual, o candidato concede entrevista para anunciar propostas para expansão e ampliação de cursos técnicos", diz o texto elaborado pela equipe de campanha de Alckmin.

Em mensagem de texto enviada ao Estado, um dos assessores do comitê afirmou que o que aconteceu antes da entrevista "não tem nada a ver com a campanha". "O comitê nunca chamou jornalistas para a visita. Chamou para o pronunciamento após a visita. O que acontece antes não tem nada a ver com a campanha", disse o jornalista.

Alckmin chegou à escola na zona oeste de São Paulo acompanhado pela sua equipe do Palácio dos Bandeirantes, entre assessores e o ajudante de ordens. Ele também estava acompanhado pelo secretário de Educação, Herman Voorwald, que chegou ao local do evento com o carro oficial da secretaria - um Ford Fusion Preto, placa preta e dourada, número 116.

Políticos que concorrem à reeleição podem participar de eventos de campanha em horário de expediente, mas a legislação impõem regras quanto ao uso de equipamentos, como veículos oficiais, e proíbe que servidores estejam em eventos eleitorais ou desempenhem funções de campanha em horário de trabalho. A participação de secretários e ministros também é permitida desde que não haja prejuízo ao serviço público.

Depois de visitar a unidade, os assessores do Palácio dos Bandeirantes organizaram os jornalistas para que fosse feita a entrevista. Ao ser questionado se estava ali na condição de candidato ou governador, Alckmin disse que sua visita era um compromisso oficial de governo. "Eu vim aqui porque é um evento de governo. Eu já conheço (o programa) Vence, visito as escolas. Mas também dou uma mensagem para o futuro", afirmou o tucano pouco antes de fazer uma promessa de campanha.

"Nós pretendemos elevar para 120 mil o número de vagas no Vence. Essa é uma das propostas para a educação e o fortalecimento do mercado de trabalho".

Segundo ele, o programa estadual conta atualmente com 65 mil vagas abertas. O objetivo de Alckmin é fechar o ano com 85 mil vagas disponíveis e fazer com que elas cheguem a 120 mil até o fim de 2015. O Estado conta com mais de 200 escolas credenciadas ao Vence, que permite ao aluno cursar ensino médio e técnico juntos.

No início da tarde dessa quarta, a assessoria do Palácio dos Bandeirantes informou por meio de nota que Alckmin concedeu entrevista após a visita como costume. 

"Após a visita ao colégio, como de hábito, o governador concedeu coletiva. A liberdade de imprensa pressupõe, por óbvio, que os jornalistas são livres para fazerem as perguntas que desejarem", diz o texto. 

Nessa segunda, desencontro de informações parecido ocorreu com a agenda da presidente Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, durante sua visita a uma Unidade Básica de Saúde em Guarulhos. Inicialmente, segundo a assessoria, tratava-se de compromisso oficial, mas no fim do dia a assessoria do comitê informou ter sido evento de campanha.

Crise hídrica. O governador rebateu também as críticas feitas pelo candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, sobre o problema do abastecimento de água. O petista afirmou que Alckmin "vive no mundo da propaganda da Sabesp", estatal responsável pela distribuição de água a parte do Estado. Para Alckmin, Padilha "subestima a inteligência das pessoas".

Mais conteúdo sobre:
eleiçõesGeraldo Alckmin

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.