Albuquerque difere de Marina em questões polêmicas

Vice na chapa do PSB é à favor de casamento homossexual, energia nuclear e demarcação de terras indígenas

Nivaldo Sousa, O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2014 | 20h54

Unidos na chapa presidencial do PSB, Beto Albuquerque e Marina Silva têm atuação ideais diferentes na vida pública. Isto porque, embora tenha defendido proposta de emenda à Constituição pregando o fim do cargo de vice-presidente - exceto "no caso de absoluta identificação com o presidente", o deputado federal defendeu projetos totalmente opostos às ideias de sua parceira socialista. Entre eles: casamento gay, energia nuclear e demarcação de terras indígenas como atribuição do Congresso e a indústria do tabaco.

Em 2003, época em que Campos foi ministro, Albuquerque apoiou requerimento do deputado Sarney Filho (PV-MA) pedindo a realização de audiência pública na Câmara para discutir o "potencial técnico e econômico extraordinário a ser desenvolvido pelo Brasil na área nuclear" a partir de Angra 3. Marina refutou a energia nuclear na sua campanha de 2010. Ela voltou a confrontar a fonte energética em 2011, após o acidente na usina de Fukushima, no Japão, sugerindo a realização de um plebiscito sobre o tema. Segundo Marina, na ocasião, a "sensação de segurança e controle com essas usinas é uma ilusão".

Outro tema polêmico defendido por Albuquerque que se choca com sua colega de chapa é a defesa da indústria do cigarro. O vice socialista foi um dos deputados que assinaram, em 2003, um requerimento de instituição de CPI para apurar a ilegalidade do cigarro contrabandeado e falsificado uma reivindicação do setor tabagista. Albuquerque já reconheceu publicamente ter recebido doação de campanha de produtores de fumo do Rio Grande do Sul, Estado pelo qual cumpre o quarto mandato como deputado federal. NA contramão, Marina proibiu seu comitê de campanha de receber doações de qualquer elo da indústria tabagista.

Albuquerque também foi um dos deputados a apoiar quatros propostas de emenda constitucional sobre demarcação de terras indígenas. Em duas delas, subscreveu propostas de colegas de Congresso repassando a demarcação de terras indígenas para "audiência das Assembleias Legislativas dos Estados em cujos territórios incidam". Em outras duas, defendeu que a demarcação deve se submeter ao Congresso Nacional. Em ambos os casos, a demarcação de reserva indígenas deixa de ser prerrogativa Poder Executivo, como defende a bancada ruralista. Marina não assumiu ainda posicionamento claro sobre o tema nesta campanha. Em maio deste ano, conforme texto publicado em sua página Facebook, a candidata se referiu à que submete ao Congresso como "ameaça aos direitos adquiridos pelos indígenas". O texto foi replicado no site da Rede Sustentabilidade, partido que Marina tenta criar, em apoio à Mobilização Nacional Indígena, realizada dia 26 de maio.

O vice de Marina também apoiou um projeto de decreto legislativo (PDC 276), proposto pelo deputado Adelor Vieira (PMDB-SC), em 2005, sugerindo a realização de plebiscito sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo. Em razão disso, é tido no meio LGBT como um dos parlamentares simpáticos à causa gay. A presidenciável do PSB, contudo, reconhece o casamento como "sacramento", ou seja, um ato religioso. Marina afirmou, durante a campanha de 2010, que seria favorável à extensão dos "direitos civis" para a comunidade gay. "Na herança, às vezes as pessoas se dedicam a vida toda para conseguir um patrimônio e quando morre o companheiro lá vai a família tomando tudo. Isso é injusto", declarou na época.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.