Alas do PMDB já retomam clima de rebelião

Deputados anti-Dilma vão tentar convencer bancada a aderir a Aécio, sob alegação de melhora no diálogo com o partido

Fábio Brandt, O Estado de S. Paulo

07 de outubro de 2014 | 21h18

BRASÍLIA - Após Aécio Neves (PSDB) terminar o 1.º turno com mais votos do que esperado até por seus aliados, parte dos deputados reeleitos pelo PMDB tentam convencer a bancada do partido na Câmara, em reunião marcada para esta quarta-feira, 8, em Brasília, a declarar apoio ao tucano. 

Esse grupo vai apresentar dois argumentos. O primeiro é de que ficou longe da unanimidade a entrada do PMDB na coligação da candidata do PT à reeleição, Dilma Rousseff. O outro é que, em seu primeiro mandato, a petista deu pouco espaço para os deputados do PMDB participarem do governo. 

“A gente vai operar pesado pela mudança”, afirmou Darcísio Perondi (PMDB-RS), que apoiou Marina Silva (PSB) no 1.º turno e já embarcou na candidatura tucana. 

Michel Temer, atual vice-presidente da República, foi indicado em junho pelo PMDB para continuar como companheiro de chapa de Dilma neste ano com apoio de 60% da convenção da legenda, porcentual abaixo do esperado pela própria cúpula partidária. Os outros 40% defenderam o rompimento com o PT.

A ideia do grupo anti-PT é pelo menos equilibrar a divisão e já preparar a bancada para o caso de uma eventual vitória de Aécio. Para isso, esses rebeldes contam com o apoio de representantes dos Estados em que PMDB e PT foram adversários na eleição para governador, como São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Goiás, entre outros. Nesta campanha, houve menos acordos regionais entre as duas siglas, na comparação com 2010.

Para os peemedebistas descontentes com Dilma, Aécio seria um presidente com melhor diálogo com o partido, já que tem experiência como deputado e exerce desde 2011 o mandato de senador por Minas. “Ele, inclusive, já presidiu a Câmara dos Deputados. Convive bem com o Senado. E terá mais facilidade para aprovar as reformas de que o País precisa”, afirmou o deputado Danilo Forte (PMDB-CE). 

O PMDB, assim como em 2010, elegeu neste ano a segunda maior bancada da Câmara. Ficou com 66 deputados. O PT, com 70. Nesse sentido, a articulação também é considerada uma “reserva de segurança” para a próxima legislatura. Isso porque o líder da bancada, Eduardo Cunha (RJ), tem interesse em se candidatar a presidente da Câmara em 2015. No entanto, ele ainda não se posicionou sobre esse debate interno da sua bancada. 

Aparte. Nesta terça, no Senado, Ricardo Ferraço (PMDB-ES) também manifestou seu desacordo com o apoio de sua legenda à reeleição de Dilma. O presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), fez um discurso em que exaltou o desempenho da sigla no 1.º turno das eleições e disse que o partido “acertou” ao apoiar o projeto dos petistas que, segundo ele, “está mudando o Brasil”. 

O senador capixaba, que apoia Aécio, pediu a palavra e disse a Renan que o PMDB não está unido em torno da reeleição de Dilma. “Estive ao lado da mudança no 1.º turno e manifesto minha confiança de que o Brasil votou pela mudança.”

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