Ajuste dificulta execução de compromissos eleitorais de Marina

Ao mesmo tempo em que promete rigor fiscal, candidata do PSB faz propostas que elevam gastos públicos em áreas sociais

Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S. Paulo

16 de setembro de 2014 | 03h00

O prometido ajuste na economia pode dificultar a execução dos compromissos sociais do programa da candidata Marina Silva (PSB). Declarações recentes de auxiliares econômicos de Marina vão nessa direção.

Ao jornal Valor Econômico, o economista Eduardo Gianetti afirmou que as promessas serão cumpridas conforme as condições econômicas permitirem, sem que haja prejuízo fiscal para a economia brasileira. 

O próximo governo deverá ter pouca margem de manobra por causa da piora das contas públicas e dos vários desequilíbrios apresentados pela economia brasileira. 

A piora fiscal já colocou o Brasil no radar das principais agências de classificação de risco. Na semana passada, a Moody’s revisou a nota de crédito do Brasil de estável para negativa. No fim de março, outra agência, a Standard & Poor’s (S&P), rebaixou o rating brasileiro para BBB-, o menor possível entre os países com “grau de investimento”.

“Não existe (a possibilidade) de aumentar nada em 2015. O ano que vem vai ter que cortar (gastos). A margem de manobra é zero”, disse Raul Veloso, especialista em finanças públicas. “A Marina está se direcionando para atender as demandas das manifestações (de junho), que chamaram a atenção para a pobreza dos serviços públicos. É difícil imaginar, em qualquer época, que os serviços públicos seriam melhorados sem o aumento do gastos. Se isso ocorresse, eu diria que seria um escândalo de eficiência.”

Em 2015, a economia também deverá crescer pouco. O Boletim Focus - pesquisa semanal feita pelo Banco Central -, divulgado ontem, mostra que o mercado aposta em crescimento de apenas 1,04% para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2015. Em janeiro, a previsão era de 2,50%.

“Um ajuste vai ser necessário, mas eu questiono um pouco o fato de o Brasil crescer pouco. Quando há uma situação de recessão, a retomada é sempre mais robusta”, afirmou Marcelo Moura, professor de macroeconomia e finanças do Insper. “Isso ocorre porque a economia fica com capacidade ociosa e não é preciso investir tanto para crescer.”

Inflação. A campanha de Marina também demonstrou preocupação com a promessa de manter o centro da meta de inflação em 4,5%. Na última ata, o próprio Banco Central admitiu que o índice só vai convergir para 4,5% no início de 2016. Ou seja, somente no segundo ano do próximo governo. 

No domingo, o jornal Folha de S. Paulo informou que o economista Alexandre Rands, um dos mais próximos da ex-ministra, propôs aumentar o centro da meta, sobretudo por causa do represamento dos preços administrados. Marina negou qualquer mudança.

AS PROPOSTAS DE MARINA

Educação

O programa de Marina Silva promete acelerar a implementação do Plano Nacional da Educação (PNE), que prevê a destinação de 10% do PIB para educação

Aumentar os recursos, além dos vinculados ao Fundeb, para garantir a educação básica dos 4 aos 17 anos e a inclusão dos jovens entre 18 e 24 anos

Saúde

Implementar gradualmente, ao longo de quatro anos, a proposta do projeto de lei de vincular 10% da receita da união para o financiamento para a saúde 

Pesquisa

Ampliar os recursos públicos e estimular o aporte das empresas em P&D para que o investimento total atinja 2% do PIB

Tudo o que sabemos sobre:
EleiçõesMarina Silva

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.