Ainda sem partido, Marina é nome mais viável na oposição

Ex-senadora, que foi a terceira colocada na disputa de 2010, fica com 13% em um dos cenários; potencial de votos chega a 40%

O Estado de S.Paulo

23 de março de 2013 | 02h07

O nome mais forte da oposição na pesquisa Ibope sobre a sucessão presidencial nem sequer tem partido para concorrer. Marina Silva, que chega a 13% das intenções de voto em um dos cenários do levantamento estimulado, ainda está envolvida na construção da Rede Sustentabilidade, legenda na qual vai investir seu capital político. A presidenciável ainda não conseguiu as assinaturas mínimas para criar a sigla.

Os 13% de intenção de voto que Marina obtém agora são inferiores ao resultado que ela teve na urna, na eleição presidencial de 2010, quando chegou a 19% após uma arrancada na reta final - desempenho insuficiente para levá-la ao segundo turno.

O atual resultado também não difere muito das sondagens feitas um ano antes das últimas eleições. Em setembro de 2009, pesquisa Ibope mostrava a então pré-candidata do PV variando entre 8% e 11% das intenções de voto, a depender da lista de adversários.

Mas Marina tem chances de crescer. Na parte da pesquisa que avalia o potencial de voto, 10% dizem que votariam nela com certeza, e outros 30% afirmam que poderiam votar. A soma desses dois itens (40%) resulta em um índice superior ao do tucano José Serra (35%), segundo colocado na disputa de 2010, quando teve 33% e se classificou para o segundo turno.

O único item no qual Marina fica em desvantagem em relação a outros oposicionistas é a taxa de rejeição. Os que dizem que não votariam nela de jeito nenhum são 40%, um contingente superior ao obtido por Eduardo Campos (35%), Aécio Neves (36%) e Joaquim Barbosa (34%) - o presidente do Supremo Tribunal Federal é outro que não tem partido, e foi incluído na pesquisa por conta de especulações no mundo político sobre sua suposta pretensão de disputar o Palácio do Planalto.

Marina, que aposta na internet como plataforma de mobilização de simpatizantes, tem maior potencial de voto entre os mais jovens. A soma de "votaria com certeza" e "poderia votar" chega a 49% entre quem tem de 16 a 24 anos e a 47% entre os de 25 a 29 anos. No nicho da população com curso superior, seu eleitorado potencial, chega a 46%.

Na divisão do eleitorado por regiões, a ex-senadora se sai melhor no Norte/Centro-Oeste (43% na soma de "votaria com certeza" e "poderia votar"). O índice cai para 34% no Sul, seu ponto fraco. Nos extremos da escala social, Marina tem desempenho melhor entre os mais ricos, com renda superior a 10 salários mínimos (potencial de voto de 57%), que entre os mais pobres, que ganham até um salário (37%).

Um dos principais entraves para uma eventual candidatura de Marina é a baixa exposição que ela deve ter na horário eleitoral. Seu novo partido, caso se viabilize, só conta com a promessa de adesão de dois deputados. Isso a deixaria praticamente com o mesmo tempo de televisão dos chamados candidatos nanicos - menos de um minuto, em um cenário com 10 concorrentes.

Até o último dia 14, quase um mês após o lançamento oficial da Rede Sustentabilidade, aliados de Marina haviam conseguido coletar cerca de 10% das assinaturas necessárias para registrar o partido na Justiça Eleitoral. A legislação determina que sejam recolhidas mais de 500 mil declarações de apoio em pelo menos nove Estados. Para que o partido possa concorrer nas eleições de 2014, todo o processo tem de ser finalizado junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) até um ano antes do pleito, ou seja, em outubro próximo. / DANIEL BRAMATTI

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