Ainda incompleta, 'faxina' mirou Transportes e Dnit

Ministério foi o mais afetado por limpeza promovida por Dilma, com 27 servidores afastados dos cargos

JOÃO DOMINGOS / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2012 | 03h04

Mesmo tendo assinado decreto que obriga os titulares dos ministérios a vigiar mais os contratos e os convênios assinados com Estados, municípios e ONGs, e afastado mais de 40 servidores suspeitos de corrupção, irregularidades diversas e mau uso do dinheiro público, a faxina iniciada pela presidente Dilma Rousseff nos ministérios há seis meses ainda está incompleta.

A rigor, a limpeza promovida pela presidente atingiu mesmo só o Ministério dos Transportes e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), de onde saíram 27 servidores, entre eles o ministro Alfredo Nascimento e o diretor-geral da autarquia, Luiz Antonio Pagot.

Auditoria da Controladoria-Geral da União concluída em novembro levantou desvios de R$ 229 milhões no setor da agricultura, principalmente nas operações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Entre as irregularidades houve até um leilão fantasma de milho pertencente a um produtor que morrera seis meses antes.

Mesmo assim, na Conab até hoje os diretores não foram afastados. Houve substituição apenas no setor jurídico, entregue ao advogado da União Rui Piscitelli. Ele entrou no lugar de Rômulo Gonsalves, que teria facilitado as irregularidades com pareceres jurídicos.

O presidente da estatal, Evangevaldo Moreira, é apadrinhado do líder do PTB na Câmara, Jovair Arantes (GO). A Procuradoria da República em Goiás abriu processo no dia 19 de dezembro contra Evangevaldo e quase uma centena de outras pessoas suspeitas de fraudes num concurso da Ordem dos Advogados do Brasil. Mas nada aconteceu com ele.

Além de Evangevaldo, ficaram na estatal outros diretores que, pelas promessas da presidente, deveriam ter saído, como Marcelo Melo, diretor de Operações, indicado pelo PMDB, Rogério Abdala, diretor de Administração, e Sílvio Porto, diretor de Política Agrícola, nome do PT na Conab.

Também permaneceram por lá Rodrigo Calheiros, filho do senador Renan Calheiros, líder do PMDB, Adriano Quércia, assessor de programas, neto do ex-governador Orestes Quércia, Matheus Benevides, coordenador de acompanhamento de ações orçamentárias, neto do deputado Mauro Benevides, e Mônica Infante Azambuja, assessora da diretoria, ex-mulher de Henrique Eduardo Alves, líder do PMDB na Câmara.

No Ministério do Esporte, onde as suspeitas de desvio de dinheiro levaram à demissão de Orlando Silva, o atual ministro Aldo Rebelo trocou alguns dos principais cargos das diretorias, mas manteve nomes da estrutura dos tempos de seu antecessor. Um deles é Waldemar Lima da Silva, ex-secretário executivo, que assinou convênio com entidades de fachada. Ele foi nomeado assessor especial do ministro. O próprio Rebelo justificou sua manutenção. Disse que ele só assinou os convênios porque esse era seu papel.

No Turismo, Gastão Vieira não teve muito o que mudar. É que boa parte dos diretores teve de sair depois da Operação Voucher, da Polícia Federal, que prendeu 38 servidores e pessoas ligadas à pasta, entre eles o secretário executivo Frederico Costa e Silva, e o secretário de Desenvolvimento, Colbert Martins.

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