Agora, todos pelo multilateralismo

Propostas das equipes de Dilma, Marina e Aécio destacam importância de modelo diversificado de relações internacionais

Alexandra Martins, O Estado de S. Paulo

31 de agosto de 2014 | 22h00

O que deve orientar a política externa de governo dos três candidatos à Presidência da República é o multilateralismo. As propostas da equipe da presidente Dilma Rousseff (PT), de Marina Silva (PSB), e de Aécio Neves (PSDB) destacam a importância de um modelo diversificado de relações internacionais para o Brasil a partir de 2015. As diretrizes de política externa do candidato Aécio Neves (PSDB), para quem “política externa é negócio”, segundo declarou em sabatina realizada pela CNI, em julho, também se aproximam, entretanto, do bilateralismo, sem preterir a relação com mais de um parceiro do tabuleiro mundial.

Mas o multilateralismo de Marina, a julgar por sua experiência política internacional e pela de seus pares - em comparação com o de Dilma - será mais irrestrito pela projeção que seu nome conquistou na última década em fóruns internacionais. “Marina é multilateral internacionalista. O caminho dela talvez a aproxime de uma política externa como foi a de FHC, , de prestígio pessoal”, sustenta o cientista político Dawisson Belém Lopes, da UFMG.

Dilma será orientada por seu assessor especial para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, a executar um plano multilateral mas mais restrito à América do Sul. “Ele (Garcia) disse claramente, em um evento recente em Franca (SP), que o grande plano de política externa do PT e de Dilma é continuar com ênfase na América do Sul, configurando assim um multilateralismo regional. O futuro é com o continente, especificamente, não com a América Latina, se Dilma for reeleita”.

Já a equipe de política externa de Aécio Neves, da qual fazem parte o ex-embaixador do Brasil em Washington (EUA), Rubens Barbosa, e o ex-ministro Sérgio Amaral, defende um modelo de múltiplos lados, talvez com ênfase em relações bilaterais. “Eu diria que se trata de um plano bilateralista, mas também com uma política mais ecumênica, de relação com o Sul, com o Norte, sem se importar de onde vem o dinheiro”, diz Belém Lopes. O principal vetor da política externa do plano de Aécio, acrescenta, é o comércio do Brasil com um parceiro de cada vez, de preferência com os EUA e com signatários da Aliança do Pacífico - Colômbia, México, Peru e Chile - para construir com cuidado a inserção de seu governo no mundo. “Ele (Aécio) tem usado como caso de sucesso os países da Aliança, que têm se relacionado mais com a Ásia e têm feito tratados de livre comércio com o EUA”, afirma Lopes.

Dilma Rousseff

A relação com os Brics, especialmente com a China, está e deve continuar no centro da política externa de Dilma Rousseff. Iniciado como um bloco econômico, o grupo de países emergentes tem hoje uma articulação também política e serve de contraponto à relação com as potências tradicionais, EUA e União Europeia. 

Marina Silva

Proposta de Marina afirma que identificação de interesses com a China “exige atenção prioritária”. Ligação com os Brics, em geral, “contribui para maior equilíbrio na geopolítica atual, fortalecendo os emergentes”. Mas é preciso atentar para diferenças “nas agendas econômica, cultural, ambiental” e também nos direitos humanos.

Aécio Neves

Com menos ideologia e mais praticidade no comércio, estratégia é “integrar o País às cadeias globais”, reduzindo espaço da diplomacia regional e dando mais força ao comércio com novos parceiros - e, portanto, maior proximidade com os Brics e com a China. Acordos bilaterais podem expandir esse impulso, envolvendo a indústria na operação.

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