Agora, Cid critica Lula por antecipar campanha

Após fazer ressalvas sobre a possível candidatura de Campos, colega de PSB, ao Planalto, governador do Ceará diz não ser 5ª coluna

VERA ROSA / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

07 de março de 2013 | 02h07

O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), disse que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva "errou" ao lançar com tanta antecedência a candidatura de Dilma Rousseff à reeleição e negou estar agindo para sabotar as pretensões presidenciais do colega de Pernambuco, Eduardo Campos.

"Eu já disse ao Lula e à presidente Dilma: 'Eu não sou quinta coluna' ", afirmou Cid. "Quem achar que pode contar comigo para fazer papel de quinta coluna e sabotar o PSB e o presidente do meu partido vai quebrar a cara."

O governador de Pernambuco, presidente nacional do PSB, foi alvo de críticas por parte de Cid e do ex-ministro Ciro Gomes. Em cerimônia promovida por Dilma com governadores e prefeitos ontem, no Palácio do Planalto, Cid e Campos esforçaram-se para sorrir diante das câmeras. "Não tenho nada contra Eduardo Campos", disse o governador do Ceará. Campos entrou e saiu da solenidade sem dar entrevistas.

No último dia 28, Cid recebeu Lula em Fortaleza e participou de um seminário do PT para comemorar os dez anos do governo do partido à frente do Planalto. Acabou vaiado por militantes - os petistas cearenses têm divergências locais com o governador.

Dois dias antes, Cid havia tido uma conversa reservada com Dilma, no Planalto. "Eu me julgo no direito de defender o que considero melhor estrategicamente para o País, para o Estado e para o meu partido", disse ontem. "Mas o que o partido decidir, eu acatarei."

Cid ressalvou, porém, que a campanha deveria ser tratada somente no ano que vem. "Pelo meu gosto seria assim", disse. Com esse diagnóstico, o governador do Ceará afirmou que Lula "agiu errado" ao lançar Dilma com um ano e oito meses de antecedência.

"Eu aprendi que o correto, para quem está no governo, é deixar tudo para a última hora. Precipitar o debate eleitoral só acirra os ânimos e o governo precisa de um ambiente mais tranquilo no Congresso, para aprovar os seus projetos", comentou ele. "Lula deveria fazer a mesma coisa que o ex-presidente Fernando Henrique: estudar e andar mundo afora falando bem do Brasil. Essa deve ser a posição de um ex-governante." Desde o mês passado Cid e seu irmão, Ciro, têm criticado a pretensão de Campos de concorrer ao Planalto. O ex-ministro chegou a dizer que o pernambucano deveria ter "a dignidade" de entregar os cargos no governo. O PSB controla hoje dois ministérios: o de Portos e o da Integração Nacional.

Antes de deixar o Planalto, ontem, Cid defendeu a reedição da aliança com Dilma, agora com o PSB na vice, e não mais com o PMDB de Michel Temer. "Acho que é estrategicamente melhor nos fortalecermos, lutarmos pela vice e nos prepararmos para um projeto nacional, em 2018."

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