Agnelo pediu reunião com Cachoeira, aponta PF

Conforme inquérito da Monte Carlo, gravações revelam proximidade do contraventor com o '01' - nome dado pelo grupo ao governador do DF

FÁBIO FABRINI, ALANA RIZZO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 Abril 2012 | 03h07

Citado como o "01" de Brasília pela organização de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, o governador Agnelo Queiroz (PT) pediu, segundo indica o inquérito da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, uma reunião com o contraventor, apontado como o chefe da máfia dos caça-níqueis em Goiás e no Distrito Federal.

Até ser desmontado pela Polícia Federal em fevereiro, o esquema - revelado ontem pelo portal estadão.com.br - articulava-se para operar negócios milionários no Governo do Distrito Federal (GDF). Para a PF, a aproximação do governador com Cachoeira tinha como pano de fundo pagamentos do GDF a empresas do esquema, notadamente a Delta Construções, e nomeações de representantes da quadrilha em cargos-chave da administração do Distrito Federal.

Em telefonema gravado pela Polícia Federal em 16 de junho do ano passado, o sargento Idalberto Matias, o Dadá, um dos aliados de Cachoeira, avisa a ele que foi procurado por João Carlos Feitosa Zunga, ex-subsecretário de Esportes e funcionário do governo do DF, que disse que o "01" estava querendo falar com ele. De acordo com a PF, "01" era a forma como os aliados de Cachoeira se referiam ao governador Agnelo Queiroz. "O Zunga me ligou aqui, está querendo falar com você, porque o chefe dele lá, o 01, está querendo... quer falar com você", diz Dadá no telefonema. "Vou falar com ele", responde Cachoeira.

O próprio relatório da PF, nas transcrições, identifica o "01" como "governador". E o araponga emenda, para precisar a identidade do "01": "O magrão", referindo-se a características que se adequam ao governador.

Delta. O "01" também aparece em outras gravações obtidas pela PF. Em 6 de abril, Dadá e Marcelo Lopes, o Marcelão, ex-assessor especial da Casa Militar do governo Agnelo, conversam sobre uma pessoa (não identificada nas investigações) que estaria fazendo a ponte com o governador.

Poucos dias antes, os mesmos interlocutores afirmam que Cláudio Abreu, diretor da Delta Construções S.A. no Centro-Oeste, está com um contato dentro do governo, direto e sem intermediários, para "azeitar os interesses da construtora em nomeações e liberação de pagamentos".

Marcelão era assessor de Cláudio Monteiro, chefe de gabinete de Agnelo, que foi afastado do cargo anteontem à noite, após a divulgação de grampos em que a organização de Cachoeira cita pagamentos feitos a ele.

Monteiro é citado em diversos áudios da Operação Monte Carlo, que revelam a proximidade de integrantes do governo de Agnelo com integrantes da organização criminosa comandada por Carlinhos Cachoeira.

Procurado pelo Estado, Zunga alegou que não solicitou a Dadá a conversa de Cachoeira com Agnelo ou qualquer pessoa. O governador informou, por meio de sua assessoria, que não vê a possibilidade de ser o "01" citado pela PF. O petista assegurou não ter se encontrado com Cachoeira nem mantido contato telefônico com ele. Negou também ter pedido ou ter sido sondado para uma reunião com o contraventor.

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