Agnelo agora admite que já esteve com Cachoeira

Governador do Distrito Federal (PT) havia dito que nunca se encontrou com contraventor; nessa quarta-feira voltou atrás

Vannildo Mendes, de O Estado de S.Paulo

13 de abril de 2012 | 03h07

BRASÍLIA - Chamado de 01 pelos integrantes do esquema de Carlos Cachoeira, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), reconheceu nessa quarta-feira, 12, que já se encontrou pessoalmente com o contraventor.

Na quarta-feira à tarde, após o estadão.com.br revelar que Agnelo, segundo a Polícia Federal, pedira um encontro com Cachoeira, o governador disse que nunca estivera com o contraventor. Nessa quarta, voltou atrás.

O encontro, segundo relato do porta-voz do governador, Ugo Braga, "ocorreu entre 2009 e 2010, ele não se lembra bem", numa reunião com empresários da indústria farmacêutica, em Anápolis (GO). Na ocasião, Agnelo diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e esse tipo de reunião, explicou o porta-voz, "fazia parte das rotinas do cargo".

A PF levantou indícios de que Cachoeira fez doação de caixa dois para a eleição do governador e depois passou a cobrar contrapartidas em contratos para empresas ligadas à quadrilha.

"O governador foi apresentado a Cachoeira em 2009 ou 2010. Ele não lembra com exatidão porque foi durante uma visita que ele fez a uma empresa farmacêutica em Anápolis. Lá estavam vários empresários desse ramo", relatou o assessor. A cidade, há 30 quilômetros de Goiânia, é o maior polo farmacêutico da região. Lá funciona o laboratório Vitapan, que pertenceu a Cachoeira e hoje está registrado em nome da ex-mulher dele.

Escuta. Em telefonema gravado pela PF em 16 de junho de 2011, com autorização judicial, o sargento Idalberto Matias, o Dadá, avisa a Cachoeira que foi procurado por João Carlos Feitosa Zunga, ex-subsecretário de Esportes e funcionário do governo do DF. Zunga foi demitido ontem por Agnelo. O governador já havia demitido o chefe de Gabinete, Cláudio Monteiro, e outro assessor, também suspeitos de envolvimento com a quadrilha do contraventor.

Nessa quarta, Agnelo passou o dia dando satisfações à base aliada. Ao final, arrancou um manifesto de apoio assinado por 19 dos 24 deputados distritais, filiados a 12 partidos. Encabeça a lista o deputado Agaciel Maia (PTC), pivô do escândalo dos atos secretos do Senado, denunciado em 2009 em série de reportagens publicadas pelo Estado. Cauteloso, Maia não divulgou a adesão na sua página na Internet, como fizeram os demais.

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