Agente diz suspeitar de PMs no caso Cachoeira

Em depoimento à Justiça, policial federal afirma que colega assassinado foi abordado por policiais militares durante investigação da Monte Carlo

ALANA RIZZO, ENVIADA ESPECIAL / GOIÂNIA, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2012 | 03h06

O policial federal Fábio Alvarez Shor afirmou ontem em depoimento que o agente da PF Wilton Tapajós, assassinado na última semana em Brasília, foi abordado por policiais militares durante as investigações da Operação Monte Carlo.

Testemunha de acusação na primeira audiência de instrução do processo sobre o esquema de Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, Alvarez foi questionado durante o depoimento na Justiça Federal sobre a vulnerabilidade do trabalho policial e a infiltração de integrantes da organização criminosa nas forças de segurança pública.

Tapajós teria sido abordado durante diligência na casa de Sônia Regina de Melo, servidora pública lotada na Delegacia Regional de Luziânia (GO). "Ele teve que usar histórias de coberturas para preservar o trabalho", contou Alvarez, explicando que não teria como fazer nenhuma relação da morte do colega com a operação da PF. O policial disse que Tapajós justificou que estava lendo a Bíblia enquanto esperava seu chefe ligar. Por coincidência, o agente recebeu uma ligação da superintendência da PF na mesma hora e os PMs deixaram o local.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), Regina era responsável pela captação de policiais para atuação na organização criminosa e fazia a intermediação entre exploradores diretos e os PMs.

O agente Alvarez disse que também foi abordado por policiais militares durante uma missão em Goiânia. Outra equipe da PF teria sido interceptada por PMs em Anápolis.

O procurador Daniel de Resende afirmou que várias diligências da PF coincidiram com abordagens policiais porque nos locais onde funcionavam as casas de jogos ou a residência de investigados havia uma espécie de "segurança informal".

Interceptações. Advogados de defesa usaram os depoimentos dos agentes para tentar desqualificar as interceptações telefônicas. Dora Cavalcanti, advogada de Cachoeira, insistiu em perguntas que explicassem quais agentes tiveram acesso às escutas, como são feitas as gravações na PF e como foram produzidos os relatórios de encontros fortuitos. Conduzida pelo juiz federal Alderico da Rocha Santos, a audiência durou dez horas.

Familiares e advogados dos réus chegaram cedo. Andressa Mendonça, namorada de Cachoeira, foi uma das primeiras. Sorridente, ela disse que não conseguiu dormir à noite.

Cachoeira entrou no auditório escoltado e também distribuiu sorrisos. Segundo o MPF, um laudo atestou a capacidade psicológica do contraventor e que ele estava apto a prestar depoimento.

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