Agente da Abin é preso por espionagem interna

Prisão do servidor, que havia roubado 238 senhas, ocorreu há uma semana a pedido da própria agência

VANNILDO MENDES / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2012 | 03h02

Um servidor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), identificado pelas iniciais WTN, foi preso em flagrante pela Polícia Federal por espionagem no próprio órgão. O caso expôs a fragilidade na proteção a dados em áreas sensíveis do Estado e acendeu a luz amarela no Palácio do Planalto, que quer um esclarecimento rápido da extensão dos danos e dados obtidos pelo espião.

Órgão de assessoramento para tomada de decisões da Presidência da República, a Abin é vinculada ao Gabinete da Segurança Institucional (GSI).

A prisão ocorreu há uma semana a pedido da própria Abin, que havia verificado "fluxo atípico de dados em uma estação de trabalho" em sua sede, segundo nota divulgada pelo GSI.

No momento da prisão, o espião já havia conseguido hackear 238 senhas de agentes envolvidos em investigações estratégicas. "As atividades desenvolvidas nessa estação foram acompanhadas, identificando-se diversas ações vetadas por regulamentos e normas legais", diz a nota.

Por se tratar de assunto sensível e não se conhecer a extensão dos dados violados, ou para quem estavam sendo vazados, o caso está sendo tratado sigilosamente, por ordem da 10ª Vara da Justiça Federal. O ministro chefe do GSI, general José Elito Carvalho, cobrou rigor nas investigações.

Pena. WTN tem 35 anos e seria lotado na área de informática da Abin. Ele responde a inquérito criminal por violação de sigilo, cuja pena é de até dois anos de reclusão e a processo administrativo, que pode resultar em demissão do cargo. No momento da prisão, os servidor cessava dados de áreas em que não tinha permissão. Ele pagou fiança de 3,5 salários mínimos e foi libertado no sábado para responder a processo em liberdade.

A Abin tem entre suas missões promover e proteger informações consideradas estratégicas para o Brasil.

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