'Agenda mista' de Dilma gera confusão

Desencontro de informações sobre caráter oficial ou eleitoral de viagem marcou visita da presidente a Unidade Básica de Saúde em Guarulhos

VALMAR HUPSEL FILHO, CARLA ARAÚJO, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2014 | 02h00

Acompanhada da equipe presidencial e de campanha, a presidente Dilma Rousseff vistoriou ontem a Unidade Básica de Saúde Jardim Jacy, em Guarulhos, na Grande São Paulo, em evento marcado pela confusão de sua assessoria para definir se ela estava ali na condição de chefe de Estado ou de candidata à reeleição.

Dilma afirmou que a visita era para ver de perto o funcionamento do programa Mais Médicos, mas, ao encerrar seu discurso, foi ao encontro da população, tirou fotos e beijou criancinhas. À noite, a assessoria do comitê da candidata informou que a visita foi um evento de campanha, em que Dilma estava na condição de candidata.

A presidente viajou de Brasília a São Paulo em avião presidencial e chegou ao posto de saúde em carro oficial, com batedores. Ela estava acompanhada dos ministros Arthur Chioro (Saúde) e Thomas Traumann (Comunicação Social). Além deles, estavam o marqueteiro da campanha à reeleição, João Santana, e a equipe de TV, que fez imagens para o programa eleitoral gratuito.

A visita foi marcada para garantir visibilidade à candidata à reeleição no dia em que as emissoras de TV inauguram a cobertura diária dos candidatos.

Durante o evento, houve desencontro de informações. Parte da assessoria informou se tratar de uma agenda mista - presidencial e de candidata. No entanto, Thomas Traumann afirmou que era uma "agenda de campanha". Ainda segundo a assessoria, os gastos com o avião presidencial serão pagos pela campanha e as imagens serão utilizadas no horário eleitoral.

A confusão também se estendeu à divulgação da agenda da presidente. No início da manhã de ontem, a visita a Guarulhos não aparecia entre os compromissos presidenciais do dia. A Presidência informava que Dilma tinha apenas despachos internos em Brasília.

Ausências. Por ter sido confirmada de última hora, a visita não pôde ser acompanhada pelo coordenador da campanha de Dilma em São Paulo, o prefeito de São Bernardo, Luiz Marinho (PT). Segundo sua assessoria, Marinho foi informado da visita na noite de domingo e não teve tempo para cancelar a reunião do comitê dos prefeitos do Grande ABC, do qual é presidente.

O desencontro também foi responsável pela ausência do candidato do PT ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde que também tem como principal bandeira o programa Mais Médicos. No início da manhã, a assessoria de Padilha, que precisa da exposição ao lado de Dilma para tentar crescer nas pesquisas de intenção de votos, nem sequer sabia que a presidente estava em São Paulo.

A presidente chegou às 10h47 e permaneceu por cerca de duas horas no posto de saúde. Neste período, cumprimentou e tirou fotos ao lado de pacientes e se reuniu a portas fechadas com dois profissionais cubanos do Mais Médicos. Na saída, enalteceu o funcionamento do programa: "A demanda por médicos vem das cidades mais populosas do País. São Paulo é o Estado que mais demandou médicos. Esta unidade, por exemplo, atende 25 mil pessoas".

Dilma encerrou a coletiva dizendo que tinha de abraçar as pessoas. Ao cumprimentar a população, houve um pequeno tumulto.

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