Afif apoia corte de pastas, desde que a sua sobreviva

Ministro diz ser a favor do enxugamento da máquina, mas enfatizou que a Secretaria da Micro e Pequena Empresa é fundamental e não pode acabar

RICARDO CHAPOLA, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2013 | 02h12

O ministro da Secretaria da Micro e Pequena Empresa e vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos (PSD), afirmou ontem que é a favor da redução de ministérios desde que o governo federal garanta a autonomia e as funções da pasta que ocupa. Na primeira agenda ministerial, disse que a União "tem de ter alguém para cuidar" do microempreendedor.

"Eu sou a favor do enxugamento. Mas tem de ter alguém para cuidar de micro e pequena empresa. A micro e pequena empresa nunca teve, dentro da estrutura de governo, uma área específica preocupada com ela e com porte para falar grosso", disse durante um almoço com empresários em São Paulo.

Afif endossou o enxugamento da máquina em meio à pressão que o PMDB tem feito à presidente Dilma Rousseff para que ela corte o número de ministérios de 39 para 25. O líder do PMDB, Eduardo Cunha (RJ), anunciou na última quinta-feira que conseguiu as 171 assinaturas necessárias para apresentar um projeto de emenda constitucional que pede a redução de 14 ministérios do governo. Ele pretende entregar o projeto no mês que vem, logo que o Congresso voltar do recesso.

A redução no número de pastas é uma ação que atinge diretamente o governo Dilma, que usa as quase quatro dezenas de ministérios para abrigar os aliados, entre eles o próprio PMDB.

O 39.º ministério, o de Afif, foi criado em abril. Em maio, o vice-governador de São Paulo assumiu o comando da pasta a convite de Dilma, gerando uma polêmica por servir ao PSDB e ao PT ao mesmo tempo.

O embarque dele no governo federal foi interpretado como sinal prévio do apoio do PSD à reeleição de Dilma em 2014.

Afif disse ter sido uma honra receber o convite de Dilma para chefiar a primeira pasta voltada ao setor. "Se não tivéssemos uma estrutura só para a micro e pequena empresa elas ficariam esquecidas", afirmou. "Se ela (Dilma) não tivesse apoio, não teria criado o ministério."

A Secretaria da Micro e Pequena Empresa auxilia na elaboração de políticas de estímulo ao microempreendedor. A pasta assumiu as atribuições ligadas ao setor que antes faziam parte das competências do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Nas contas do governo, o 39.º ministério representa uma despesa anual de R$ 7,9 milhões aos cofres públicos.

Afif disse que quando está na capital paulista não costuma frequentar o Palácio dos Bandeirantes. "Eu sou hoje ministro. Não vou lá até porque a minha função é substituir o governador nas suas ausências. Quando ele se ausentar, me chama." Para a Comissão de Ética de SP, o acúmulo de cargos é uma "grave infração". O caso foi levado ao Ministério Público Estadual. / COLABOROU CARLA ARAÚJO

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