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Aécio tenta estancar debandada de aliados

Candidato do PSDB cola agenda à de tucanos bem posicionados nas pesquisas nos Estados

Débora Bergamasco , ENVIADA ESPECIAL

10 de setembro de 2014 | 03h00

GOIÂNIA - O candidato a presidente Aécio Neves (PSDB) tenta neste último mês de campanha colar sua agenda à de tucanos bem posicionados nas pesquisas nos Estados. O objetivo é estancar a debandada de aliados regionais. Sua visita ontem a Goiânia integra a estratégia.

Na capital do Estado do Centro-Oeste, um movimento pôs a campanha de Aécio em alerta. Trata-se do “MariMar”, que prega votos para a reeleição do governador Marconi Perillo (PSDB), favorito em Goiás, e em Marina Silva (PSB) para presidente. 


Nesta semana, deve ser inaugurado o primeiro “Point MariMar”, um comitê que concentrará material de propaganda e militância de Marina e de Perillo, deixando Aécio de fora. O governador tucano ainda não confirmou se vai ou não ao evento. A “deserção” está sendo liderada, oficialmente, pelo presidente nacional do PHS, Eduardo Machado, que faz parte da coligação regional com os tucanos. 

Nesta terça-feira, 9, quando Aécio foi questionado sobre o movimento, Perillo pediu a palavra e respondeu: “No Brasil inteiro tem partidos que apoiam o Aécio e partidos que apoiam outras candidaturas. O nosso governador, o candidato a senador, toda a nossa base do PSDB e dos partidos que estão com o Aécio vão garantir a vitória dele”. 

Desânimo. Na tentativa de mostrar comprometimento à eleição de Aécio para presidente, Perillo disse à imprensa que organizou o evento ontem no parque de exposições de Goiânia, que reuniu mais de cinco mil militantes tucanos e de outras legendas da base, “para dar moral ao Aécio, para ele se animar”. 

Quando Perillo tomou o microfone e passou a falar para a multidão, as bandeiras tremulavam, a militância se empolgou, todos no palco ficaram em pé, menos Aécio, que parecia estar com o pensamento distante e permaneceu sentado, sozinho. Ao perceber a situação, levantou, sorriu e aplaudiu o cicerone. 

Os discursos feitos durante o ato político também foram no sentido de frear o desânimo e a revoada do tucanato. O candidato ao senado na chapa de Perillo, Vilmar Rocha (PSD), discursou: “Não vou ficar ao sabor das pesquisas, ao sabor de outros interesses, ao sabor de conveniências. Portanto, vamos segurar bem forte a bandeira que o Aécio representa”. Em um claro recado aos que pretendem correr para o lado de Marina, que agora aparece com mais chances de ir para o segundo turno com a presidente Dilma Rousseff. 

Em sua fala para a multidão, Aécio repetiu várias vezes a frase “agora é a hora da virada”. 

Apesar de toda ação motivacional, que contou com cerca de cem prefeitos, vereadores e candidatos ao parlamento estadual, para se ter uma ideia de como o engajamento pode estar arrefecendo, o presidente do PSDB de Goiás, Paulo de Jesus, contou como está “orientando a turma”: “Vamos trabalhar para o Aécio ir para o 2.º turno. Mas, se não der, vamos apoiar a Marina”. 

Favoritos. O PSDB nunca perdeu uma eleição presidencial para o PT em Goiás e Perillo aparece como primeiro colocado nas intenções de voto para o governo do Estado. Aécio tem o discurso mais alinhado aos interesses do agronegócio, atividade carro-chefe na região, mas, mesmo assim, está atrás da presidente Dilma Rousseff e de Marina Silva nas intenções do eleitor goiano. Com um resultado pessoal ruim, mas com um contexto positivo para sua candidatura, Aécio decidiu visitar o Estado pela segunda vez, desde o início da campanha, na tentativa de canalizar para si essa predisposição do eleitorado de Goiás em votar no PSDB. 

Teve o mesmo objetivo a visita de Aécio ao Pará. Simão Jatene (PSDB) está tecnicamente empatado com Helder Barbalho (PMDB), ambos com cerca de 40% da preferência do eleitorado. Entretanto, Aécio não é o favorito entre os paraenses. 

A lógica se repete, mais uma vez, em São Paulo, onde o governador Geraldo Alckmin (PSDB) ostenta mais de 50% da preferência dos paulistas, enquanto Aécio agora aparece em terceiro lugar, com 17%, atrás de Dilma, 23%, e de Marina, 39%. Nesta sexta-feira, os dois tucanos terão agenda casada no Estado. 

Convertidos. Para tentar reverter o quadro da maneira mais rápida possível, um dos estrategistas da campanha presidencial do tucano explica que agora, na reta final da disputa, a tática é retomar o eleitor simpático ao PSDB nesses Estados, contando com a aproximação na imagem de Aécio com os candidatos a governador. Aécio “tem mais chance de se recuperar nesses Estados do que no Nordeste, por exemplo”, já que a região nordestina tem mais proximidade com a plataforma petista, conforme explicou.

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