Aécio recua e desiste de anunciar mais ministeriáveis

Tucano reavalia antecipação de nomes para seu governo caso seja eleito; Arminio Fraga, já ‘nomeado’, é alvo de ataques do PT

Ana Fernandes, O Estado de S. Paulo

16 de outubro de 2014 | 20h54

O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, afirmou nesta quinta-feira, 16, que deve recuar de sua promessa de anunciar mais nomes que poderão compor seu governo caso vença as eleições no dia 26 de outubro. A desistência ocorre em meio a um bombardeio de críticas da campanha de sua adversária, a presidente Dilma Rousseff, contra Arminio Fraga, ex-presidente do Banco Central que foi anunciado por Aécio como seu futuro ministro da Fazenda no fim de agosto.

“Tem muito candidato (a ministro), não quero contrariar algum deles”, disse o tucano em entrevista concedida em São Paulo, antes do debate do SBT. “Eu realmente falei isso (que indicaria mais nomes), mas talvez vou ter que rever.”

Na semana passada, Aécio havia dito que poderia anunciar mais “um ou dois nomes” do primeiro escalão de seu eventual governo. Arminio foi anunciado pelo tucano como seu futuro ministro da Fazenda no dia 26 de agosto, num momento do 1.º turno em que ele estava em terceiro lugar nas pesquisas, atrás da candidata do PSB, Marina Silva. Agentes do mercado, simpáticos à sua candidatura, começavam a “migrar” para Marina. Ao anunciar Arminio, um economista ortodoxo, a intenção do candidato do PSDB era sinalizar como seria a condução econômica de seu eventual governo. 

Após garantir passagem para o 2.º turno, Aécio lidera numericamente as pesquisas, mas em situação de empate técnico com a presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff (PT). Segundo o Ibope e o Datafolha, o tucano tem 51% das intenções de votos válidos ante 49% da petista. 

Uma das promessas de Aécio, se eleito, é cortar boa parte dos atuais 39 ministérios do governo federal.

TCE. Questionado na coletiva concedida na capital paulista, Aécio disse não ter conhecimento sobre o motivo que levou o site do Tribunal de Contas de Minas Gerais a ficar fora do ar da noite de terça-feira até o início da tarde anteontem. “Perguntem ao TCE. Eu não tenho a menor informação sobre isso”, afirmou o tucano. Os relatórios técnicos relativos às contas de 2007 a 2012, período em que o Estado foi governado por Aécio e por seu sucessor, Antonio Anastasia (PSDB), foram retirados da página do TCE e só voltaram ao ar no fim da tarde de anteontem. 

O episódio aconteceu simultaneamente ao primeiro debate do 2.º turno, entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio, na Bandeirantes. No debate, Dilma acusou Aécio de não cumprir o orçamento mínimo para saúde e educação. A petista chegou a dizer que o governo do tucano “desviou” R$ 7,6 bilhões que deveriam ter sido investidos em saúde em Minas. 

“A afirmação da presidente Dilma de que não investimos os R$ 7 bilhões na saúde é mentirosa. Nós cumprimos a lei em tudo”, reagiu ontem Aécio. “Meu governo em Minas Gerais foi honrado do começo ao fim.”

Embora as contas do governo mineiro entre 2003 e 2012 tenham sido aprovadas, os relatórios técnicos com as análises das finanças do Executivo apontaram os investimentos abaixo do mínimo constitucional em saúde e educação. 

Goebbels. Aécio voltou a afirmar que Dilma e os petistas estão com medo da derrota. “Ela (Dilma) demonstra um grande receio de perder. O PT trabalha pela primeira vez com a possibilidade real de perder a eleição”, disse o tucano, para quem a petista faz uma campanha “fraudulenta”, usando “notícias pela metade”.

Aécio também repetiu o argumento que havia sido usado no 1.º turno por Marina, hoje sua aliada: disse que o PT usa tática semelhante àquelas do ministro da propaganda nazista Joseph Goebbels - que dizia que uma mentira repetida várias vezes se torna verdade.

O candidato tucano voltou a dizer que o PT faz uma campanha “vergonhosa”, com tentativas “criminosas” de desconstruir os adversários. “Tentaram fazer isso com Eduardo Campos, com a Marina, mas comigo, não. A reação será à mesma altura”, disse.

Aécio ainda citou notícias negativas para o governo. Falou sobre a possível suspensão de R$ 3,8 bilhões em contratos do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro pelo Tribunal de Contas da União por “gestão temerária”. 

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