Aécio promete agora 'superministério' da Agricultura

Depois de falar em criar pasta da Infraestrutura, tucano quer incorporar Pesca à ministério já existente e diz que 39 pastas é "acinte"

ERICH DECAT E NIVALDO SOUZA, Estadão Conteúdo

06 de agosto de 2014 | 12h36

Brasília - O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, afirmou nesta quarta-feira, 6, que, se for eleito, pretende extinguir o Ministério da Pesca e incorporá-lo ao da Agricultura. Diante de uma plateia composta por representantes do agronegócio, o tucano disse que quer transformar a unidade em um "superministério".

"Criarei no 1º dia de governo um super Ministério da Agricultura, incorporando o Ministério da Pesca. No meu governo o ministro da Agricultura não vai ser subordinado ao ministro da Fazenda. Falta uma política agrícola moderna, que garanta renda ao produtor e atenda à nova economia de mercado", afirmou o tucano em sabatina realizada na Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em Brasília.

O fortalecimento da pasta é uma das principais demandas do setor do agronegócio. Momentos antes da fala de Aécio, o também candidato Eduardo Campos (PSB) fez promessa parecida e se comprometeu a fortalecer o ministério e a tirá-lo do "balcão político".

A pasta da Pesca foi criada em 2003 no governo do então presidente Lula. Inicialmente atuava como uma secretaria ligada à Presidência da República, transformada em ministério em 2009.

Aécio tratou por diversas vezes a Agricultura como um "superministério" e afirmou que, em sua eventual gestão sua, a pasta "sairá da política de balcão a que está submetida hoje" e passará a ser "decisiva para a formulação de políticas públicas".

Defensor da redução do número de pastas, Aécio voltou a atacar a quantidade atual de ministérios. "Trinta e nove ministérios é um acinte à inteligência dos brasileiros e à qualidade dos serviços públicos. E esses ministérios, boa parte deles, foram criados não para atender à população brasileira, mas para atender à base partidária, para garantir alguns segundos a mais de propaganda eleitoral", declarou, após a sabatina.

Já na segunda-feira, 4, sem detalhar quais pastas cortaria, o candidato mencionou excluir a Pesca e defendeu a criação do Ministério da Infraestrutura. Nesta terça, durante a sabatina, Aécio disse que a nova pasta reunirá outras ligadas ao tema, como Portos, para agilizar o trâmite de projetos e planejamento de investimentos. "Questões como portos e ferrovias serão agilizadas dentro de uma estrutura de comando."

Aécio Neves ressaltou a importância do setor para o crescimento da economia. "O Brasil pode superar a crise de desesperança e crescimento da economia. Não há visão estratégica no governo sobre a importância do agronegócio, que vem sustentando o PIB e contas externas", afirmou. "O superministério da Agricultura irá destravar investimentos sempre destacados nas folhas de papel e que não são vistos na vida das pessoas", acrescentou.

Desapropriação. O candidato também sinalizou como trataria a questão das desapropriação de terras invadidas. "As fazendas invadidas não serão desapropriadas em um prazo de 2 anos, como sinalização clara de que respeitamos o direito de propriedade". Na questão trabalhista no campo, o tucano defendeu que haja uma redução dos custos. "Vamos garantir que se cumpram os direitos trabalhistas de quem trabalha no campo da mesma forma de quem trabalha no meio urbano, mas vamos reduzir os custos do campo".

Sem dar detalhes, Aécio prometeu também implementar uma desoneração total das exportações agropecuárias e investimentos. Ele considerou ainda como "urgente" a implementação de uma estratégia para aumentar a capacidade de armazenagem que, segundo o candidato, tem de aumentar em 50 milhões de toneladas nos próximos 4 anos. 

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