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Aécio pede que Renan desista de presidir o Senado; Campos critica poder do PMDB

Na semana decisiva para a sucessão na Câmara e no Senado, presidenciáveis entram em campo para questionar hegemonia do PMDB; para o senador mineiro, peemedebistas devem indicar nome que seja aceito por todas as bancadas da Casa

MARCELO PORTELA, BELO HORIZONTE, ANGELA LACERDA / RECIFE, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2013 | 02h04

Às vésperas de o PMDB assumir o controle das duas Casas no Congresso e de consolidar a hegemonia na coalizão da presidente Dilma Rousseff, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), pré-candidato à Presidência em 2014, sugeriu ontem que Renan Calheiros (PMDB-AL) desista da candidatura à presidência do Senado. No mesmo dia, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), que também se movimenta nos bastidores como um dos protagonistas para 2014, questionou a força que o PMDB terá se ocupar simultaneamente os comandos da Câmara e do Senado.

"Cabe ao PMDB criar facilidades para que possamos ter um nome que agregue todas as forças políticas do Congresso, para que o Senado inicie uma nova fase", disse o tucano ontem em Belo Horizonte, após semanas de silêncio da oposição sobre a sucessão do Congresso.

Segundo o tucano, Renan, como líder do PMDB, seria o "maior interessado" em conduzir o partido para indicar um nome "que possa ser tranquilamente aceito por todo o Congresso e não apenas pela bancada" peemedebista. Renan é o mais cotado para substituir José Sarney (AP), que deixa o posto na sexta-feira. Ele foi presidente da Casa de 2005 a 2007 e renunciou para não ser cassado quando acusado de usar recursos de um lobista de empreiteira para pagar despesas pessoais.

O caso volta à tona agora que a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentou denúncia contra o senador, na última sexta-feira. Na ocasião, Renan chegou a mostrar notas fiscais frias para justificar venda de gado e a recepção do dinheiro.

Aécio afirmou que o PSDB ainda não tem uma posição definida e que a bancada tucana se reunirá na quinta-feira para "avaliar o caminho a tomar". Uma das possibilidades é o PSDB apoiar a candidatura de Pedro Taques (PDT-MT). Ontem, Taques criticou a indefinição dos oposicionistas sobre a sucessão no Congresso (leia entrevista abaixo). O senador admitiu, ainda, que ele e Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) estudam a possibilidade de formar uma chapa única contra Renan.

O senador tucano Aloysio Nunes Ferreira (SP) defendeu que o PSDB busque "outros caminhos" na eleição para a presidência do Senado, depois que Calheiros foi denunciado pela PGR. "Eu pessoalmente defendo a abstenção ou o apoio a um candidato que se comprometa com um programa de mudanças no Senado", disse.

Aloysio defendeu a proporcionalidade na eleição para o comando do Senado, o que garante o posto ao PMDB, mas fez ressalvas. "O fato de eles terem a maioria da bancada confere a eles o direito à primazia, mas o PMDB deveria oferecer nomes que conseguissem o apoio de todos, sem nenhum tipo de restrição, alguém comprometido em restabelecer o prestígio do Senado", afirmou o paulista.

Além das denúncias do passado, há polêmicas recentes envolvendo Renan. Reportagem do Estado da última quarta-feira revelou que o peemedebista usou sua influência no partido e na Caixa Econômica para transformar Alagoas em uma potência nos contratos do Minha Casa, Minha Vida, favorecendo principalmente a Construtora Uchôa, que faturou mais de R$ 70 milhões em dois anos. O proprietário da construtora, Tito Uchôa é sócio do filho do senador, o deputado Renan Filho (PMDB-AL), em outras empresas.

Outro a pedir que Renan não concorra foi Eduardo Suplicy (PT-SP). Ele sugeriu o nome do peemedebista Pedro Simon (RS).

PSB. "Acho que a expressão que o PMDB começa a tomar nessa aliança é muito maior do que o que o PMDB representa na sociedade brasileira", declarou Eduardo Campos em entrevista publicada ontem no jornal sergipano Cinform. Presidente do PSB, o governador evitou defender explicitamente a candidatura de Júlio Delgado (PSB-MG) à presidência da Câmara para não melindrar a coalizão de Dilma. Há um acordo com Planalto e o PT para que os políticos do PMDB assumam as presidências das Casas. "A gente já viu, em outros momentos, alianças políticas que foram feitas em determinadas conjunturas e que tentaram impor à sociedade a sua manutenção e o povo rapidamente não consentiu e a desmontou", acrescentou o governador.

"O povo é que vota e mede a aprovação do partido. O partido de Eduardo Campos não tem a dimensão do PMDB nem o peso político", afirmou o senador Valdir Raupp (RO), presidente nacional do PMDB. / COLABORARAM BRUNO BOGHOSSIAN e EUGÊNIA LOPES

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