Aécio Neves já fala como candidato a presidente

O governador de Minas Gerais defendeu que a campanha não deverá se centrar no 'anti-lulismo'

Angela Lacerda, de O Estado de S. Paulo,

26 de setembro de 2008 | 19h19

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB) falou como candidato a presidente, em entrevista na sexta-feira, 26, no Recife, antecipando o norte que uma campanha presidencial tucana deverá adotar em 2010. Ele defendeu que a campanha não deverá se centrar no "anti-lulismo" e sua grande tarefa será a de construir uma proposta pós-Lula, um projeto de Brasil que possa atrair aliados que hoje estão "no guarda-chuva" do presidente Lula, partidos aliados como o PSB e PDT, além do DEM que é tradicionalmente aliado tucano.   Na sua avaliação, o PSDB pode oferecer a esses partidos uma postura ética e eficiência na gestão pública - o que não é oferecido pelo governo Lula. "Não temos a visão de que se governa apenas criando cargo para acomodar os companheiros", criticou. "O PSDB tem a visão da gestão moderna, gastando menos com a estrutura do Estado e mais com as pessoas", observou. "Nossa visão de mundo é mais moderna".   "Se o PSDB conseguir apresentar um projeto novo, otimista, moderno, ousado para o Brasil, temos condições de construir uma nova aliança para o pós-lulismo que seja boa para o Brasil, sem o radicalismo de hoje", pregou, ao frisar que Lula se equivoca e traz prejuízo ao Brasil na medida em que "fragiliza agências reguladoras". "Isso está inibindo investimentos importantes em diversos setores da vida nacional". Aécio reclamou de investimentos em infra-estrutura, ferrovias e portos, setores essenciais para quem quer crescer em velocidade maior.   Ao seu ver, o governo Lula foi beneficiado por alguns acertos, mas também por um momento extremamente positivo da economia internacional que favoreceu o Brasil. "Mas não sabemos até quando vai durar, é preciso um governo que compreenda que a gestão de qualidade é necessária, que gaste menos, que gaste melhor e que ouse nas reformas", afirmou. "Esse é o governo do PSDB".   Ele acusou o governo federal de "perdulário" do ponto de vista da gestão pública, e - mesmo tendo se apropriado da "herança bendita" de Fernando Henrique Cardoso - não planejou o longo prazo. "No momento em que se avizinha uma crise que não sabemos ainda dimensionar, seus efeitos podem ser mais ou menos graves". Ao seu ver, o fato de o governo federal estar "gastando como gasta e aumentando gastos correntes mais do que cresce a economia no Brasil, pode trazer graves problemas sobretudo na capacidade de investimento do País".

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