Aécio Neves corre para ter eleitor de oposição

Aécio Neves corre para ter eleitor de oposição

Campanha do senador foca em São Paulo e Minas Gerais para tentar reverter a tendência do voto útil em Marina

Débora Bergamasco, Pedro Venceslau, O Estado de S. Paulo

27 de setembro de 2014 | 19h16

 BRASÍLIA - Na última semana do primeiro turno, o candidato à Presidência do PSDB, senador Aécio Neves, vai priorizar viagens para São Paulo e Minas Gerais, o primeiro e o segundo maiores colégios eleitorais do Brasil, respectivamente. Os dois Estados têm tradição de votar no PSDB e exibem altas taxas de rejeição à presidente, mas o desempenho do tucano está aquém do esperado.


A avaliação da campanha é de que ainda é possível mudar a situação dele ao menos nesses Estados. Nas propagandas na TV e nas redes sociais, os tucanos tentarão reverter a tendência dos eleitores antipetistas de optar pelo voto útil em Marina para vencer Dilma. A ideia é bater na tecla de que o PSDB tem mais estrutura política e palanques mais sólidos do que a rival.

Para criar o clima de “onda da virada”, a campanha apresentará o crescimento nas pesquisas de opinião como um “viés de alta”. Segundo aliados de Aécio, foi baixada uma “ordem unida” para que ninguém especule como seria um 2.º turno sem a presença do tucano.

No campo do discurso, a palavra de ordem será “o chamamento para a razão”, de acordo com Paulo Vasconcelos, marqueteiro da candidatura do tucano. “Todas as campanhas têm de reconhecer que o clima não é festivo para ninguém. Nesse cenário particular, a estratégia de Aécio será de chamamento para a reflexão, para a razão.”

A lógica do marqueteiro se baseia no desempenho dos três principais presidenciáveis nas pesquisas de intenção de voto. No início da corrida eleitoral, Dilma Rousseff (PT) partiu da faixa dos 40 pontos, depois caiu para cerca de 32 e voltou para os 40, mesmo patamar da pré-campanha. Aécio fez mais ou menos a mesma curva, ao orbitar nos 19 pontos, depois 15, e recuperar a posição inicial. Marina Silva (PSB) disparou ao entrar na disputa e agora segue recuando.

“Hoje a nossa estratégia é de 1.º turno. Onde podemos buscar votos? No contingente oposicionista”, afirma o coordenador da campanha em São Paulo, Alberto Goldman. “Vamos mostrar que, se a Marina for para o 2.º turno, ela é a candidata mais fraca para enfrentar a Dilma.”

Outra iniciativa será reforçar o contato com os deputados tucanos nos Estados, sobretudo em São Paulo, para evitar que eles se desmobilizem. Numa avaliação otimista, a campanha acredita que um bom desempenho do mineiro nos debates da TV Record, hoje, e da TV Globo, na quinta-feira, pode ajudá-lo a chegar no dia da votação dentro da margem de empate técnico com Marina.

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