Aécio inicia tour e Serra só fala em Brasil

Senador faz discurso de candidato ao iniciar giro pelo País, ao mesmo tempo em que ex-governador avisa: 'Estou focado na questão brasileira'

ELDER OGLIARI / PORTO ALEGRE, ANNE WARTH / AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2011 | 03h03

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi recebido em clima de campanha e fez discurso de candidato à Presidência da República em encontro com tucanos e lideranças do PP, PPS e DEM ontem, em Porto Alegre. Praticamente ao mesmo tempo, em São Paulo, o ex-governador José Serra também deu sinais de que deseja concorrer de novo ao Planalto: "Minhas preocupações são com relação ao Brasil. Eu estou focado na questão brasileira, e não na municipal", afirmou, após ter sido questionado se seria candidato a prefeito em 2012.

Aécio deixou claro seu projeto ao eleger a gestão do tucano Fernando Henrique Cardoso como bandeira pré-eleitoral. Além da palestra em almoço no Clube do Comércio, a agenda dele na capital gaúcha incluiu visitas a três empresas de comunicação e uma caminhada entre as barracas da Feira do Livro, no centro da cidade, durante a qual simpatizantes gritavam "Brasil pra frente, Aécio presidente".

A viagem ao Rio Grande do Sul foi a primeira de uma série que o parlamentar está programando com o objetivo formal de "ouvir e falar" sobre o futuro do País. A próxima está prevista para o Nordeste, em dezembro.

Em seu discurso e nas entrevistas, Aécio tratou de pontuar diferenças com o PT criticando as gestões de Luiz Inácio Lula da Silva (2002-2010) e de Dilma Rousseff, iniciada neste ano, e defendendo ações de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

"A grande agenda que está em curso no Brasil é aquela proposta pelo PSDB há 20 anos. Ela começa com o Plano Real e a estabilidade econômica, passa pelas privatizações, pelo Proer (programa de auxílio a bancos), pelo início das ações de transferência de renda e pela Lei de Responsabilidade Fiscal", afirmou. "No governo do PT não houve nenhuma inovação. Eles tiveram a responsabilidade de esquecer o discurso que levou o Lula à primeira vitória e incorporar e manter a política macroeconômica do governo Fernando Henrique Cardoso, com câmbio flutuante, meta de inflação, superávit primário e atenção aos programas sociais", comparou.

Adotando uma postura mais agressiva do que as mais recentes campanhas à presidência do PSDB, Aécio defendeu a venda de empresas estatais.

"Temos que assumir de forma muito clara os benefícios que as privatizações trouxeram ao Brasil", afirmou, sem, no entanto, propor a retomada. "O que foi feito foi importante; o que temos que fazer agora é parcerias com o setor privado para investimentos, como nos aeroportos."

Aécio afirmou que "é necessário ter coragem para enfrentar a "armadilha perversa" que o governo teria criado ao chegar "à mais alta carga tributária do País, juros altos e baixíssimo investimento público" e insistiu na tese de que "o Brasil precisa de um novo salto" e que "o PSDB iniciou a discussão desse novo salto", em uma referência às teses apresentadas em seminário promovido pelo Instituto Teotônio Vilela na segunda-feira, no Rio de Janeiro.

Ao falar de mobilização política, Aécio defendeu que o partido se ocupe de renovar o discurso, volte a falar para a sociedade brasileira com coragem e dispute as eleições de 2012 de forma vigorosa para depois, "ao alvorecer de 2013", pensar em quem será o candidato à Presidência em 2014. Questionado sobre o ato do dia, idêntico ao de uma campanha, saiu pela tangente. "Esse é o carinho dos gaúchos com esse mineiro que vem lá das Alterosas", desconversou. Além do Rio Grande do Sul, Aécio fará também um giro pelo Nordeste.

Serra. O ex-governador, em entrevista aos jornalistas após evento no Incor (Instituto do Coração), em São Paulo, evitou se estender no tema eleição.

Reservadamente, no entanto, seus correligionários dizem que ele pretende concorrer novamente ao Palácio do Planalto em 2014. Serra já disputou em 2002, quando foi derrotado por Lula, e no ano passado.

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