ANDRE DUSEK/Estadão
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Aécio evita oferecer 'milagres' e fala em ampliar investimento

Em sabatina promovida por representantes do setor industrial, candidato do PSDB ataca governo Dilma, defende revisão do Mercosul e "novo ciclo" na economia

Agência Estado

30 de julho de 2014 | 13h40

Brasília - O candidato do PSDB à Presidência, senador Aécio Neves prometeu a representantes da indústria ampliar a taxa de investimento do PIB de 18% para 24% até 2018 e conduzir um governo que tenha "grande articulação com setor privado". Na sabatina promovida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta quarta-feira, 30, disse que vai implantar um "novo ciclo" na economia e afirmou que não vai apresentar um "plano milagroso" para crescimento em curto prazo.

Com um discurso focado em críticas à atuação do atual governo na área econômica, o candidato afirmou que implantará um "novo ciclo" que passa por questões voltadas para infraestrutura, taxa de câmbio, juros e simplificação do sistema tributário.

 

Aécio foi o segundo convidado da série de encontros realizada pela CNI. Antes dele foi entrevistado o candidato do PSB, Eduardo Campos. A presidente Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, encerrará o evento, nesta tarde.

O candidato disse que não apresentará propostas milagrosas e apresentou como meta inicial de governo ampliar a taxa de investimentos do Produto de Interno Bruto (PIB). "Não esperem do nosso governo o plano A ou B, esperem regras claras, uma regulação clara dos mercados e, sobretudo, uma ação que aumente a produtividade e a qualidade dos serviços que o país venha a apresentar." E complementou: "A meta para o novo governo é que possamos, ao fim de 2018, saltar de 18% do PIB em investimentos para algo em torno de 24%, com a criação de um ambiente favorável para negócios."

O tucano fez relembrou derrota da seleção brasileira na Copa do Mundo para ilustrar como vê a situação da economia brasileira. "O 7 a 1 que me preocupa é o que o governo deixará, espero que para nós", disse Aécio, mencionando o "placar perverso" que será entregue no final de 2014 "de 7% de inflação e 1% de crescimento".

Sem citar um programa específico, Aécio afirmou ainda que caso seja eleito irá implantar uma regulação "clara dos mercados" e deu como exemplo a gestão dele a frente do Estado de Minas Gerais.

Entre as propostas para retomada de crescimento da economia, o candidato defendeu mudanças na relação comercial com outros países. Voltou a dizer que o Mercosul precisa ser reavaliado e apresentou como sugestão uma aproximação com a União Europeia. "O Brasil vem perdendo oportunidade de avançar no entendimento com a União Europeia", disse.

Sem dar detalhes, Aécio também ressaltou por vários momento que é necessário criar "um arcabouço" para que se avance "em novo ambiente de negócios".

"Estabilidade macroeconômica precisa ser resgatada no Brasil para que tenhamos ambiente de tranquilidade. É absolutamente essencial que governo busque isonomia maior entre setores da economia", afirmou.

Mudança e reforma. A exemplo de Campos, Aécio Neves prometeu apresentar uma proposta de reforma tributária já no primeiro ano de governo e defendeu o aumento da produtividade pela via da inovação. Em recado ao adversário, o tucano disse ser cético em relação a aqueles que se dizem "monopolistas da verdade, da ética e da verdadeira mudança".

Aos representantes da indústria, Aécio fez um aceno ao defender um câmbio desvalorizado - mantra que agrada ao setor industrial na disputa por mercados externos. "O Brasil, infelizmente, é refém hoje daquilo que podemos chamar de um populismo cambial. O governo federal (...) busca controlar a inflação com a intervenção permanente no câmbio em desfavor de quem produz no Brasil", afirmou./Ricardo Brito, Beatriz Bulla, Daiene Cardoso, Ricardo Della Coletta, Erich Decat, Nivaldo Souza, Bernardo Caram, Lilian Venturini e Vivian Codogno

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