Aécio diz a sindicalistas que vai rever fator previdenciário

Candidato do PSDB promete mudanças em instrumento criado por Fernando Henrique que tem sido criticado por sindicalistas

Pedro Venceslau e Elizabeth Lopes, O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2014 | 12h17

Atualizada às 14h17

Pressionado pelos aliados da Força Sindical, o candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, prometeu nesta sexta-feira que, se eleito, vai acabar com o fator previdenciário. O mecanismo, criado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em 1999 para desestimular as aposentadorias precoces, foi mantido nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. Sindicalistas cobram o fim do fator, defendido por especialistas como determinante para o equilíbrio da Previdência.

Além de voltar-se contra uma medida tomada pela gestão do PSDB no Palácio do Planalto, a promessa destoa do discurso de austeridade econômica de Aécio. Após o tucano ser ultrapassado por Marina Silva (PSB) nas pesquisas de intenção de voto, a Força Sindical passou a exigir que ele defendesse claramente o fim do fator previdenciário e abriu canais de diálogo com a candidata do PSB. A central sindical é um dos principais canais de Aécio com os movimentos sociais.

Segundo dirigentes da entidade, a Força abriu mão de incluir outras bandeiras históricas da categoria na plataforma do tucano, como a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, mas não podia recuar do fim do fator previdenciário, pois isso causaria prejuízos políticos na base sindical. “Vamos encontrar uma alternativa para acabar com o fator previdenciário. O atual governo trabalhou de costas para o trabalhador”, disse Aécio durante um evento com mulheres sindicalistas na sede da Força, em São Paulo. O tucano não especificou, porém, qual seria a alternativa.

Em um discurso exaltado, ao lado dos dirigentes da Força e de outras centrais, Aécio criticou o modelo de fator previdenciário implementado por FHC. “É no diálogo que vamos encontrar caminhos, alternativas que garantam a capacidade de pagamento da Previdência, mas impedindo que o fator (previdenciário) continue a punir de forma tão violenta como vem punindo o salário dos aposentados brasileiros.”

O candidato do PSDB disse que vai encontrar uma política que “substitua” o fator previdenciário. “Isso é um compromisso pessoal meu. A minha equipe econômica já está mergulhada nessas alternativas e vamos fazer isso com olho no olho do trabalhador”, afirmou. Antes do anúncio, Aécio se reuniu diversas vezes com um grupo liderado pelo deputado Paulinho da Força (SDD-SP) durante a última semana.

Depois de selado o acordo, o tucano recebeu na manhã de sexta-feira cerca de 30 sindicalistas no estúdio da produtora que faz seus programas de TV. No centro de uma roda, Aécio respondeu a perguntas do grupo em uma simulação de entrevista. O programa vai ao ar hoje.

Compromissos. Além da promessa de acabar com o fator previdenciário, Aécio se comprometeu com a manutenção da atual política de reajuste do salário mínimo acima da inflação, mas com a perspectiva de elevar os ganhos.

“No nosso governo, em que recuperaremos a capacidade de o Brasil crescer, os reajustes no salário mínimo serão muito mais expressivos do que aqueles que teremos agora”, afirmou o candidato.

O tucano também repetiu a promessa de rever a forma de reajuste da tabela do Imposto de Renda, uma das principais reivindicações das centrais sindicais - a defasagem na correção aumenta o número de contribuintes e a faixa de incidência da maior alíquota, hoje de 27,5%. “Nós vamos garantir pelo IPCA o reajuste da tabela do Imposto de Renda. E vamos trabalhar pelos próximos anos para resgatar a defasagem existente”.

Depois de dizer que a gestão do PT “se afastou dos trabalhadores”, Aécio procurou se diferenciar dos adversários na disputa eleitoral. “Nenhum candidato à Presidência da República estabeleceu compromissos tão claros com os trabalhadores e com os aposentados brasileiros como estabeleceu a nossa candidatura”, afirmou o tucano.

Mulheres. O candidato do PSDB foi bastante assediado pelas sindicalistas após o encerramento do encontro do Coletivo das Mulheres Metalúrgicas de São Paulo. Além dos tradicionais pedidos de foto, Aécio foi chamado de “gato” e “lindo”, além de ter sido abraçado e cercado por uma multidão.

O tucano havia chegado ao local com o governador e candidato à reeleição Geraldo Alckmin (PSDB). 

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