Aécio defende que PSDB amplie alianças para 2010

Idéia, segundo ele, é que o PSDB redefina seu papel tendo em vista que o PT naturalmente lançará candidato

Raquel Massote, da Agência Estado

28 de outubro de 2008 | 19h44

O governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), defendeu nesta terça-feira, 28, que, passado o segundo turno das eleições municipais, os tucanos comecem a redefinir seu projeto, atraindo outros partidos se quiser ter chances nas eleições presidenciais de 2010 na disputa contra um candidato do PT. "O PSDB não pode ter a pretensão de atuar de forma isolada e achar que apenas com um ou outro aliado tem condições de vencer essas eleições. Nós devemos fazer o esforço de ampliação de nossas alianças em torno de um projeto e não em torno de pessoas", afirmou o governador. A idéia, segundo ele, é de que o PSDB redefina seu papel tendo em vista que o PT naturalmente lançará um candidato à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No entanto, segundo ele, o PT terá dificuldades em aglutinar ao redor desta candidatura a mesma base de sustentação que hoje apóia o presidente. "Nós sabemos que muitos atores da cena política brasileira - e isso serve para outros países também, não é uma exclusividade nossa - se movimentam em torno de propostas, mas também de expectativa de poder. Eu diria que mais forte do que o poder presente, sobretudo quando ele caminha para o final, é a expectativa de poder." Durante entrevista, Aécio avaliou o quadro nacional pós-eleições apontando que a primeira condição para que os tucanos retornem ao Palácio do Planalto em 2010 é a união do partido. Em seguida, Aécio defendeu que o partido comece a elaborar um projeto que o diferencie do governo Lula, já que do ponto de vista macroeconômico as diferenças não são tão visíveis em relação às políticas empreendidas pelo governo Fernando Henrique Cardoso. "Temos entre nós uma capacidade muito grande de entendimento. Mais do que indicar o candidato, o PSDB precisa sinalizar para o Brasil um novo projeto, um projeto renovado de gestão pública, ousado e corajoso do ponto de vista das reformas", afirmou. Definido o projeto, conforme o governador, o partido teria mais força para atrair outros aliados que hoje podem apoiar o governo Lula, "mas não necessariamente uma candidatura do PT". Para ele, esta estratégia abriria espaço para diálogo com o PMDB, considerado por ele um "ator importante e estratégico" e com várias outras legendas, como o PSB, que elegeu o novo prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda, além do PDT e também do PPS. Quanto ao DEM, que elegeu o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, Aécio já conta a parceria. "O DEM, tem uma tradição, uma tendência natural a caminhar conosco. O que eu quero dizer é que acho que nós temos que ampliar além da possibilidade que temos com o DEM, reeditarmos a parceria com o PPS. Esses são atores importantes que nós queremos ter ao nosso lado e é possível ampliar isso", disse. Aécio se esquivou ao ser questionado sobre quem seria o melhor candidato para aglutinar o maior número de partidos em torno do projeto: ele ou o governador de São Paulo, José Serra. "Essa não será uma disputa entre um e outro, entre o governador Serra, o governador Aécio, ou outro nome que possa surgir como candidato. O que nós temos que ter, todos nós, é desprendimento para compreender no momento certo quem é aquele que tem melhores condições de conduzir esse projeto". Para ele, no entanto, não é o momento de definir candidatos, mas de definir o projeto e aglutinar o maior número de aliados possível. "A partir daí, esse conjunto de forças, além do PSDB, vai caminhar na direção daquele que tenha melhores condições de liderar esse processo de renovação da política brasileira", acredita. O governador mineiro defendeu, porém, que o partido analise a possibilidade de realização de prévias para a escolha do candidato. "Eu acho que quanto mais ampla for a discussão melhor para o partido. E as prévias são uma possibilidade concreta, inclusive previstas no estatuto do PSDB e que deverão ser discutidas com maior profundidade daqui por diante." Ao avaliar o quadro geral das eleições municipais, Aécio disse acreditar que o jogo saiu "equilibrado". Segundo ele, o PT obteve vitórias nos médios e pequenos municípios e não nas principais cidades. "Obviamente a derrota do PT em São Paulo é emblemática porque ali o governo federal e o presidente Lula colocaram todo o seu esforço." No entanto, segundo ele, "ninguém pode dizer que sai dessa eleição muito mais forte do que entrou e algumas teses se fortalecem e outras perdem força", avalia.

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