Aécio chama Lula de 'amigo', mas ataca governo Dilma

Em entrevista na TV, senador mineiro poupa ex-presidente de crítica, mas diz que PT fracassou na administração atual

BRUNO BOGHOSSIAN, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2013 | 02h01

"O Lula de bobo não tem nada. Ele é inteligente. Ele é meu amigo, também", disse o presidente do PSDB, Aécio Neves, aos espectadores do Programa do Ratinho, do SBT, na noite de quinta-feira. Nos primeiros passos para construir sua provável candidatura ao Palácio do Planalto, com foco nas classes C e D, o tucano decidiu poupar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de críticas e atacou apenas as falhas de sua sucessora, Dilma Rousseff.

A estratégia tem o objetivo de evitar um embate entre Aécio e Lula, que tem alta popularidade entre o eleitorado mais pobre e a nova classe média - camadas que ascenderam no primeiro governo do PT por causa do crescimento econômico e de programas de transferência de renda.

Aécio aproveitou uma mesa de bar improvisada no estúdio do SBT para falar com essa população - público-alvo do programa apresentado por Ratinho.

Depois de dizer que pretende manter os pagamentos do Bolsa Família caso seja eleito, o mineiro disse que Lula teve a "virtude" de unificar projetos sociais lançados por Fernando Henrique Cardoso e manter a política econômica do tucano.

"As críticas hoje são merecidas, mas eu reconheço avanços. O primeiro foi quando assumiu o presidente Lula e manteve a política macroeconômica do governo Fernando Henrique. A segunda virtude foi ampliar os programas sociais", afirmou.

Aécio e Lula mantiveram uma boa relação nos oito anos em que o mineiro era governador e o petista, presidente. Os dois trocavam elogios públicos e Aécio chegou a ser atacado por tucanos que exigiam dele um engajamento mais firme nas campanhas dos candidatos do PSDB à Presidência.

Agora, ao moldar seu discurso dentro de um cenário de grande popularidade dos governos do PT, Aécio critica a gestão de Dilma, mas tenta se apresentar como um "projeto alternativo", e não como um adversário que bate de frente com o partido.

"Estou trabalhando para apresentar um projeto alternativo para Brasil. Eu tenho muita vontade de fazer algo diferente do que está aí", disse, na TV.

Com esse texto, o tucano se aproxima do discurso adotado pelo governador pernambucano Eduardo Campos (PSB), que se descola de Dilma a fim de criar uma imagem de candidato presidencial "pós-PT". "Eu faço política diferente de alguns que não reconhecem no adversário virtudes. Eu não acho que o PT, por exemplo, que é meu adversário, só tem defeito", disse Aécio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.