Aécio ameniza crítica a Lula, mas volta a atacar a 'virulência' do PT

Para senador, petistas tratam derrota eleitoral 'como crime de lesa pátria'; tucano, por outro lado, fez elogios ao ex-presidente

MARCELO PORTELA, BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2012 | 03h02

Depois de classificar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como "líder de facção", o senador Aécio Neves (PSDB-MG) amenizou ontem o discurso contra o principal líder petista, mas voltou à carga contra o partido da presidente Dilma Rousseff.

Segundo Aécio, as críticas a Lula foram uma "posição reativa" aos ataques que o ex-presidente tem feito a tucanos que disputam as eleições municipais, mas ele "é uma figura que está na história do Brasil" e "vai estar permanentemente no coração de muitos brasileiros".

Segundo o senador, o PT considera que ser derrotado em uma eleição é "um crime de lesa pátria" e o partido opta por ataques na iminência de uma derrota. "Certamente, a marca do PT é o que estamos vendo. Quando estão perdendo, a posição do PT é sempre de muita virulência, de muito ataque pessoal, como se derrotar o PT fosse um crime de lesa pátria", declarou. Aécio citou críticas sofridas por candidatos adversários do PT em diversas capitais, como o prefeito Marcio Lacerda (PSB), em Belo Horizonte, Arthur Virgílio (PSDB), em Manaus, e o ex-governador José Serra, em São Paulo.

'Facção política'. Mas o tucano preferiu abrandar as declarações contra Lula. Na sexta-feira, durante uma das viagens que faz para apoiar correligionários nas eleições municipais, o tucano afirmou que o ex-presidente age como "líder de facção" quando defende os réus no processo do mensalão e ataca adversários. Ontem, porém, Aécio disse que se referia a uma "facção política" e negou que a declaração tivesse alguma referência com grupos criminosos.

"Falei que ele opta por ser chefe de uma facção política. Não estou me referindo a nada além disso", afirmou. "O ex-presidente da República é ex-presidente de todos os brasileiros. É absolutamente legítimo que peça votos para seus candidatos. (Mas) No momento em que ele vem para o palanque atacar pessoalmente o adversário, como exclusivista do sentimento de solidariedade com os mais pobres, não me parece a postura mais adequada a um ex-presidente da República", acrescentou o senador.

Papel. Aécio ressaltou que Lula "tem no mundo um prestígio extraordinário" e que a postura "raivosa" adotada pelo petista nos comícios dos quais tem participado não condiz com sua posição. Para o tucano, que se "coloca como amigo do presidente", o petista "estará de forma ainda mais profunda no sentimento dos brasileiros se ele souber separar um pouco a disputa política das questões pessoais".

"Quando ele vem fazer ataques pessoais, acho que não está a altura do que ele é, da história dele, que é uma história belíssima, tanto pessoal quanto política. Gostaria de vê-lo no papel de ex-presidente da República, rodando o mundo, representando o Brasil. Não há uma figura importante do mundo político que eu encontre que não pergunte pelo presidente Lula", afirmou Aécio, que participou de carreta e comício da campanha de Lacerda.

esq.

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