Aécio admite situação desconfortável em cenário eleitoral

Em entrevista ao Jornal da Globo, tucano afirma que quadro mudou após morte de Eduardo Campos

Elizabeth Lopes , O Estado de S. Paulo

04 de setembro de 2014 | 01h38

O candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, admitiu nesta quarta-feira que não está em uma situação confortável no cenário eleitoral, como estava há 30 dias, antes do acidente aéreo que vitimou o ex-governador Eduardo Campos e alçou a ex-senadora Marina Silva à cabeça de chapa do PSB. A constatação foi feita em entrevista ao Jornal da Globo, na madrugada desta quinta-feira, ao ser indagado sobre a hipótese de seu partido não chegar ao segundo turno das eleições em 20 anos de disputa presidencial.

"Eu venho de uma terra (Minas Gerais) que ensina muito cedo que eleição e mineração o resultado só vem depois da apuração", disse o tucano, reconhecendo que apesar do atual cenário, em que perdeu o posto de segundo colocado e aparece em terceiro lugar nas pesquisas eleitorais, pois foi ultrapassado pela ex-senadora Marina Silva, está "extremamente confiante" no projeto de sua coligação para transforma o Brasil. "Porque  é exequível", destacou.

"A verdade é que temos (agora) uma segunda eleição, infelizmente com a tragédia que abateu (Eduardo Campos) o quadro mudou, sou o primeiro a reconhecer isso, mas continuo acreditando nas mesmas coisas que eu acreditava lá atrás, que é preciso ter um governo com qualidade, responsabilidade e com coragem para tomar as decisões certas", disse o tucano, reiterando sua convicção de que vai disputar o segundo turno.

Na defesa de sua candidatura, Aécio voltou a colocar em ação a estratégia deflagrada esta semana por sua campanha, de partir para o ataque contra suas adversárias mais bem pontuadas nas recentes pesquisas de intenção de voto - além de Marina, a presidente e candidata à reeleição pelo PT, Dilma Rousseff. "O ano de 2015 será difícil para o Brasil e não poderá comportar improvisos", disse, numa crítica à ex-senadora. Com relação à Dilma, voltou a afirmar que a presidente vai perder essas eleições "pelos inúmeros equívocos de seu governo e pelo quadro extremamente perverso que ela deixará ao seu sucessor".

Ao falar mais especificamente de Marina Silva, voltou a cobrar da candidata socialista clareza e detalhamento de suas propostas, utilizando o mesmo mote de Dilma Rousseff no debate entre os presidenciáveis no SBT, no início desta semana. "Eu tenho dúvidas quanto à consistência das propostas de Marina, e da capacidade que ela terá de implementar, no prazo que se propõe, o conjunto de  bondades que apresenta à sociedade brasileira." E destacou que as propostas de Marina são inexequíveis, pois representam um aumento de gastos de R$ 150 bilhões ao ano, ou 3% do PIB. "Só tem uma forma de fazer isso, aumentar a carga tributária, o que ela diz que não vai acontecer."

Nas críticas a Dilma, o presidenciável tucano disse que o Brasil vive hoje uma tremenda frustração porque comprou um "bilhete falsificado de loteria, (acreditando em ) uma grande gestora que colocaria o Brasil em ordem, controlaria a inflação e faria o País voltar a crescer, e isso não aconteceu. E por isso ela perderá a eleição."

A constatação de Aécio de que sua situação não é confortável foi feita no dia em que o Ibope divulgou uma nova rodada de pesquisas, mostrando queda em sua candidatura e crescimento de suas adversárias. Pela mostra, Dilma subiu de 34% para 37%, Marina de 29% para 33% e Aécio caiu de 19% para 15%. 

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