Aécio admite disputar o Planalto e acusa Dilma de combater pobreza 'por decreto'

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) admitiu ontem a candidatura ao Planalto em 2014 ao participar de um seminário de seu partido em Goiás e disse estar pronto para o confronto com o PT seja no campo social ou no campo econômico. "Um governo que acha que a pobreza acaba com um decreto merece ser enfrentado e combatido", afirmou o tucano, que acusou a presidente Dilma Rousseff de estar com foco somente na disputa eleitoral de 2014.

LEONENCIO NOSSA, ENVIADO ESPECIAL / GOIÂNIA (GO) , O Estado de S.Paulo

05 de março de 2013 | 02h03

O senador fez um discurso de 35 minutos para defender mudanças na política social e confrontar os legados dos governos de Fernando Henrique Cardoso com as gestões dos petistas Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff. "Ela (Dilma) não está de olho em 2013, no governo, mas na reeleição em 2014. Na verdade, quem antecipou o debate foi o governo. E nós estamos prontos", disse em entrevista a jornalistas. "Vamos andar pelo Brasil. Basta a ineficiência! O Brasil merece outro momento para sua história."

O pré-candidato do PSDB foi ovacionado por vereadores, prefeitos e simpatizantes do PSDB que cantavam o bordão "Brasil pra frente, Aécio presidente". Questionado ao chegar sobre sua candidatura, respondeu: "(Está) na boca do povo".

Aécio rebateu discurso feito por Dilma na convenção do PMDB no sábado, em que ela afirmou que "os mercadores do pessimismo" apostam "todas as fichas no fracasso do País". "A presidente Dilma acusa a oposição de querer o pior para o Brasil. Nada mais falso. A tese do quanto pior melhor é própria do PT, que negou no passado apoio a Tancredo Neves no Colégio Eleitoral, ao governo Itamar Franco e ao Plano Real."

"Nós do PSDB não temos que temer absolutamente nada", completou. "Vamos defender em cada canto do País o nosso legado e uma nova agenda."

Pobreza. A militantes tucanos, o senador disse que o governo da "senhora candidata e presidente" Dilma não reconhece que foi Ruth Cardoso, mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, quem deu o "mais vigoroso impulso" à rede de proteção social. "O PSDB quer a superação da pobreza e isso passa pela educação de qualidade e capacitação profissional."

Segundo ele, o governo Dilma aposta numa "propaganda oficial" para afirmar que a pobreza extrema foi erradicada no País, mas metade da população não tem rede de esgoto e tratamento do lixo. Afirmou que Lula e Dilma receberam do PSDB heranças como a universalização do ensino, o programa de erradicação do trabalho infantil e as iniciativas nas áreas de medicamentos e de combate à aids.

"Não negamos tudo o que o PT fez", disse o tucano. "O presidente Lula teve alguns méritos, sim. Ele manteve a política macroeconômica do governo Fernando Henrique e expandiu as políticas sociais do PSDB."

Reação. À noite, o ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral) rebateu as declarações de Aécio de forma mais contundente que de costume. "Não estamos extinguindo a miséria por decreto. Esse governo não abandonou o seu povo e por isso a miséria está nos abandonando", afirmou, repetindo o slogan da propaganda oficial durante um congresso de trabalhadores rurais.

"Ao contrário de governos anteriores, tivemos a coragem de ouvir esse povo e receber esse povo no Palácio, de destinar os recursos públicos através do Bolsa Família, Pronaf, ProUni", disse Carvalho. "(Esse governo) Está de peito aberto para ouvir as críticas, mas fundamentalmente é solidário ao povo, ao contrário dos governos neoliberais que esse senador representa e que quer voltar ao governo do País. Mas o povo não vai deixar." / COLABOROU RAFAEL MORAES MOURA

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