Advogados questionam por que Lula não foi investigado

As defesas do deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP), ex-presidente do extinto PL, do ex-tesoureiro Jacinto Lamas e de seu irmão, Antonio Lamas, citaram ontem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao pedir a absolvição de seus clientes ao Supremo Tribunal Federal, destacando que Lula deveria ter sido investigado pelo Ministério Público.

MARIÂNGELA GALLUCCI, EDUARDO BRESCIANI, RICARDO BRITO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2012 | 03h03

Advogado de Costa Neto, Marcelo Luiz Ávila de Bessa disse que o deputado não pode ser condenado, já que recebeu os recursos como presidente do PL e por causa de um acordo político firmado na eleição de 2002 para a montagem da chapa de Lula com José Alencar. Ele citou uma reunião de em junho de 2002, da qual teriam participado Lula, Alencar, Costa Neto, Delúbio Soares e José Dirceu. E disse que, na ocasião, estava em vigor a regra da verticalização das alianças, que impunha aos partidos o dever de seguir nos Estados as coligações feitas em nível nacional. Por isso, o PL precisava ajudar os candidatos. "Pode ter ocorrido (mensalão) ou não, mas em relação ao PL não."

Quatro paredes. Defensor do ex-tesoureiro do PL Jacinto Lamas, o advogado Délio Lins e Silva Júnior criticou a acusação, que afirmou que as tratativas do mensalão eram feitas "entre quatro paredes do Planalto", mas decidiu não investigar o ex-presidente Lula. "Por que é tão fácil acreditar em Lula, mesmo com depoimento (do ex-deputado Roberto Jefferson) dizendo que ele sabia, e difícil acreditar em Jacinto Lamas, de que ele não sabia e não tendo depoimento contrário?", disse. "O pau só quebra nas costas do pequeno", acrescentou Délio Lins e Silva, que defende Antonio Lamas.

Júnior afirmou que "Valdemar mandava no partido". e que "Jacinto era um zero à esquerda em termos políticos e financeiros". "Jacinto não recebeu um tostão furado do esquema." A defesa de Breno Fischberg, ex-sócio da corretora Bonus Banval, negou qualquer vínculo dele com o publicitário Marcos Valério. O advogado Guilherme Moraes Nostre disse que Valério desmentiu em juízo que conhecesse Fischberg, retificando declaração dada à Polícia Federal.

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