Advogado diz que cliente não vai dar mais depoimentos sobre o caso

Segundo criminalista, empresário afirmou ser 'inútil colaborar' após não ter pena reduzida no julgamento do mensalão

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 de dezembro de 2012 | 02h06

Como no jogo de xadrez, o empresário Marcos Valério, condenado a 40 anos, 4 meses e 6 dias de prisão como operador do mensalão, agora manda um recado: não quer prestar novos depoimentos porque se considera "absolutamente convencido de que é inútil colaborar com a Justiça".

Pelo criminalista Marcelo Leonardo, seu advogado de defesa, ele se declarou "absolutamente surpreso com o vazamento" de seu relato à Procuradoria-Geral da República, quando informou que dinheiro do esquema serviu também para bancar despesas do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Nesse momento, prestar quaisquer outros depoimentos ele ainda vai avaliar, se não é o caso de ficar em silêncio já que colaborar com a Justiça está se revelando inútil", afirmou Leonardo, veterano criminalista estabelecido em Belo Horizonte.

O depoimento de Valério preenche 13 páginas. Ele afirma que se reuniu no Palácio do Planalto com o então ministro José Dirceu (Casa Civil) e o presidente Lula, que teria dado 'ok' para os empréstimos fraudulentos ao PT. Valério conta que, em seguida, procurou o então presidente do Banco Rural, José Augusto Dumont, já falecido.

"Ele não tem nenhuma disposição de colaborar com a Justiça porque entende que é inútil", reitera o advogado. "Na Ação Penal 470 (mensalão) colaborou com as investigações desde o início, foi ele quem fez referência a empréstimos, quem forneceu uma lista com os nomes de todas as pessoas beneficiárias do esquema, esclareceu datas, valores e formas de recebimento e, apesar disso, apesar de ter colaborado tão intensamente, foi quem recebeu a maior condenação."

Marcelo Leonardo afirma que seu cliente não teve nenhuma vantagem por ter contribuído com a Justiça e o Ministério Público no processo do mensalão. "Nada ele obteve, nenhum benefício de redução da pena. Daí sua avaliação de que é inútil continuar colaborando com a Justiça. Não tem nenhuma disposição de prestar quaisquer outras declarações a quem quer que seja."

"Se for chamado por autoridade que tenha poder de convocar ele comparecerá, como tem comparecido a todos os lugares onde foi formalmente intimado ao longo dos últimos 7 anos", disse o advogado. "Ainda recentemente (Valério) já prestou outras declarações a diferentes autoridades."

Sobre o relato de 24 de setembro de seu cliente ao Ministério Público Federal, que disse que o PT pagou despesas do processo, Marcelo Leonardo afirmou. "Continuo preocupado em cumprir meu dever profissional de respeitar o sigilo, mas quero esclarecer que em nenhum dos inúmeros depoimentos que eu acompanhei Marcos Valério ele jamais declarou que o PT tenha pago honorários da defesa." / F.R., A.R. e F.M.

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