Advogado de Valério nega desvio de verba

Defesa de empresário diz não ter havido uso de dinheiro público em esquema; ele 'não é troféu ou personagem a ser sacrificado', afirma

MARIÂNGELA GALLUCCI, RICARDO BRITO, EDUARDO BRESCIANI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2012 | 03h07

O advogado Marcelo Leonardo, que defende o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, pediu ontem a absolvição de seu cliente que, segundo ele, foi vítima de uma "implacável e insidiosa campanha de publicidade opressiva". O defensor afirmou que Marcos Valério "não é troféu ou personagem a ser sacrificado em altar midiático", mas admitiu a condenação do cliente.

"A defesa pede a absolvição pelas 9 acusações e 11 diferentes fundamentos, mas, se, por absurdo, essa Corte entender que é caso de condenação solicito a admissão da pena base porque é preciso reconhecer quem era a pessoa do Marcos Valério", disse Leonardo. Ele enfatizou que Valério é réu primário e que até a revelação do mensalão era um empresário respeitado em Minas Gerais.

Para o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, Valério foi o principal operador do mensalão e, graças a vínculos com os bancos Rural e BMG, garantiu a entrada de recursos no esquema.

Leonardo sustentou que não houve compra de deputados em troca de apoio a projetos de interesse do governo. "No máximo, caixa 2", disse. Alegou ainda que os empréstimos foram válidos. "Não há prova de desvio de recursos públicos", afirmou. "Os valores têm origem em empréstimos verdadeiros, depositados na conta da própria agência, com identificação dos sacadores. O banco arquivou as informações, assinava-se recibo dos saques", disse.

O advogado observou que numa investigação semelhante, sobre o chamado mensalão mineiro, o próprio Ministério Público desistiu de acusar políticos ao concluir que se tratava de caixa 2 de campanha eleitoral, ilícito que já estaria prescrito e, portanto, os responsáveis não poderiam mais ser punidos. A defesa classificou como "criação mental do acusador (Gurgel)" acusações de que Valério teria tentado corromper o deputado João Paulo Cunha (PT-SP) em troca de um contrato em licitação na Câmara.

Ele lembrou de uma decisão recente do Tribunal de Contas da União que considerou regular um contrato milionário da agência de publicidade DNA, de Marcos Valério, com o Banco do Brasil. Esse contrato é um dos argumentos do procurador contra o publicitário no processo do mensalão. Recentemente o TCU suspendeu os efeitos do relatório favorável à DNA.

Ramon. A defesa de Ramon Hollerbach, que era sócio de Marcos Valério, também pediu a absolvição alegando que não há provas. "Culpa não se presume. Culpa se demonstra. De onde o Ministério Público tirou isso? De onde é que a acusação extraiu a prova de que Marcos Valério agia em nome de Ramon Hollerbach?", indagou o advogado.

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