Advogado de Genoino diz que houve 'injustiça'

Para defensor, condenação do ex-presidente do PT 'contraria toda a prova dos autos'

Pablo Pereira, de O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2012 | 02h08

"A aplicação da pena é apenas a decorrência maior da injustiça já antes perpetrada. Sua condenação contraria toda a prova dos autos", disse na segunda-feira, 12, em nota, Luis Fernando Pacheco, advogado do ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, após a definição pelo STF da pena de 6 anos e 11 meses pela condenação no caso do mensalão.

"Resignação, de parte do acusado, nunca! Paciência e submissão às ordens emanadas da mais elevada Corte, sob o regime do Estado de Direito, sim", afirma a nota. Ao chegar em casa, na zona oeste de São Paulo, Genoino não quis comentar a decisão. "Fale com meu advogado", disse.

Genoino foi condenado por formação de quadrilha e corrupção ativa. O ex-presidente petista deverá cumprir a pena em regime semiaberto, podendo trabalhar fora da prisão, mas tendo de dormir na cadeia. Segundo a nota, Genoino "reitera o respeito ao Supremo Tribunal Federal". Porém, "irresignado, o acusado viverá até o fim de seus dias. E isso quer dizer que continuará batalhando junto ao Supremo a causa de sua inocência".

Segundo o advogado, uma condenação "sem o mínimo indício de prova merece reparação seja quando for, onde for e de quem for". Pacheco declara ainda que seu cliente é "homem público reconhecido por sua ética, por sua moral ilibada, por sua vida de dedicação ao projeto de País no qual sempre acreditou e acredita. Exemplo de bom servidor, pai, marido e avô". Para o advogado, o petista é "homem de guerrilha, prisão e tortura, batalhador congressista que foi, não se impressiona com a condenação de agora. Antes, encara e de peito aberto e cabeça erguida".

No sessão do STF, o ministro Joaquim Barbosa, relator do processo, votou pela condenação de Genoino a 2 anos e 3 meses de prisão para o crime de formação de quadrilha. Barbosa disse que a culpa dele é "elevada", pois foi o interlocutor político do grupo que tinha como objetivo comprar o apoio de parlamentares federais. "(Genoino) Contribuiu para a profanação e a conspurcação das instituições políticas nacionais", afirmou. Nesse crime, todos os ministros acompanharam o voto do relator. No caso da corrupção ativa, Barbosa votou inicialmente pela aplicação de pena de 5 anos e 3 meses pela compra de votos de políticos.

Os advogados de Delúbio Soares, também condenado na segunda, não quiseram se manifestar.

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