Adversários têm medo de reeleição, afirma Lula

Ex-presidente critica proposta de acabar com 2º mandato e diz que Dilma é 'extraordinária'

FERNANDO GALLO, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2013 | 02h12

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que não há ninguém mais qualificado para comandar o País do que sua sucessora, Dilma Rousseff, e acusou os partidos que agora defendem o fim de reeleição de ter "medo" que ela vença as eleições do ano que vem.

O aliado PMDB e o oposicionista PSDB pediram o fim da reeleição nas últimas semanas.

No discurso que fez durante evento na Universidade Federal do ABC, em São Bernardo do Campo, Lula centrou fogo nos adversários tucanos, lembrando que foram eles que mudaram a lei a fim de que Fernando Henrique Cardoso obtivesse dois mandatos consecutivos.

"Nós não tínhamos reeleição. Com medo de mim, até reduziram o mandato para quatro anos. Depois ganharam e aprovaram a reeleição. Agora eles querem acabar com medo da Dilma se reeleger?", afirmou o ex-presidente. Acho que quatro anos de mandato, para alguém fazer alguma obra neste País, é quase que impossível."

Lula, mais uma vez, tentou afastar especulações sobre uma eventual candidatura sua ao Planalto no ano que vem. "Não vejo ninguém com as qualidades dela para presidente desse país", disse o petista em entrevista.

Segundo ele, Dilma é uma "extraordinária presidente e uma extraordinária candidata". "Tenho certeza de que o que a presidente Dilma prometeu fazer ela tem feito e vai fazer muito mais."

No esforço de afastar os boatos, o petista chegou a defender o modelo dos EUA, onde um presidente reeleito não pode mais disputar o cargo no futuro.

O ex-presidente reforçou o discurso da sucessora e afirmou que a realização de uma reforma política é "condição sine qua non para mudar muita coisa no Brasil".

O petista defendeu que eventuais mudanças no sistema político e eleitoral valham já para o pleito de 2014, mas disse que "nem sempre a gente consegue no tempo certo o que a gente quer".

Telhado. Lula defendeu as manifestações que vêm ocorrendo no País, afirmou que a capacidade de mobilização das massas surpreendeu a todos e disse que "de protesto em protesto a gente vai consertando o telhado".

O ex-presidente atribuiu às melhorias econômicas que seu governo proporcionou às classes mais pobres a piora de algumas questões como a lotação dos aeroportos e o trânsito nas grandes cidades. Ele, contudo, criticou a oposição por ter tirado, segundo seus cálculos R$ 350 bilhões da área da saúde desde 2007 com a derrubada da CPMF, imposto que incidia sobre operações financeiras.

"Não vi colocado em lugar nenhum é que alguns políticos que agora estão na oposição dizendo que precisa melhorar a saúde, eles se esqueceram que no começo do meu segundo mandato eles acabaram com a CPMF. Eles sabem que a gente tinha lançado o programa Mais Saúde, um programa muito poderoso feito ministro Temporão e impediram que isso fosse colocado em prática. É triste", disse. "O povo sabe, eu sei, a Dilma sabe, que é preciso melhorar a saúde, o transporte, a habitação, tudo".

Ele ainda pediu às pessoas que não neguem a política e nem os partidos políticos.

Lula citou números de seu governo para explicar a origem dos protestos pela melhora de serviços públicos. "Em dez anos fizemos com que 53 milhões de brasileiros começassem a andar de avião. Lógico que começa a ter problema nos aeroportos. Produzíamos 80 milhões de toneladas de grãos, passamos a produzir 185 milhões, lógico que tem problema de transporte. Tinha um pouquinho de gente com carro, agora tem um montão. Dá até protesto para melhorar a rua."

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