Gabriela Bilo / Estadão
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Adversários de prefeito petista prometem passe livre em Araraquara

O transporte coletivo gratuito, uma bandeira petista, não está nos planos do prefeito Edinho Silva, que ressalta necessidade de apontar recursos para a medida

José Maria Tomazela, Sorocaba

30 de outubro de 2020 | 21h56

SOROCABA – Na maior cidade governada pelo PT no interior de São Paulo, quatro candidatos a prefeito de outros partidos propõem passe livre no transporte público em Araraquara. Bandeira petista nesta e em outras eleições, o transporte gratuito não está nos planos do prefeito Edinho Silva, do PT, que concorre à reeleição. Seu partido, no entanto, apoia o transporte gratuito desde a criação do Movimento Passe Livre, no Fórum Mundial Social, em Porto Alegre. Na capital, o candidato do PT à prefeitura, Jilmar Tatto, promete criar o passe livre para todos os desempregados.

Com 238.339 habitantes, Araraquara tem nove candidatos à prefeitura. A tarifa de ônibus atual de ônibus R$ 4,10. Para o candidato Célio Peliciari (PSOL), o serviço prestado atualmente é caro. “Defendemos a tarifa zero e o pagamento indireto da passagem de ônibus feito com os impostos pagos pelo povo, como o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos).” Segundo ele, a adoção do transporte gratuito será feita de forma gradual, atingindo inicialmente estudantes e trabalhadores.

O candidato do Patriota, Dr. Lapena, pretende usar os recursos do vale-transporte e diz: “Qualquer pessoa, em qualquer lugar e horário, poderia dispor do ônibus sem a necessidade de tíquete ou passagem”. Para Tiago Pires, do PCO, o transporte público é um direito, não mercadoria. Ele propõe a municipalização do serviço e adoção de tarifa zero. Já o candidato do PSOL, professor Coca Ferraz, quer o transporte gratuito direcionado às pessoas desempregadas e aos estudantes. Os usuários beneficiados seriam cadastrados.  

O prefeito Edinho Silva disse que todas as iniciativas dos candidatos precisam estar lastreadas em dotação orçamentária e capacidade arrecadatória. “Seria uma imprudência, no meio de uma pandemia, de uma depressão econômica mundial, propor qualquer política pública que onere de forma significativa a capacidade, incerta, de arrecadação do município”, afirmou. Segundo ele, não há nenhuma certeza de futuro, da perspectiva da economia e da arrecadação dos municípios, que ofereça condições para a adoção de novas despesas, com esse impacto, para a cidade de Araraquara.

Ele lembrou que está em andamento a elaboração de um plano para diagnóstico das necessidades da população. Conselhos de usuários em cada plano diretor de mobilidade urbana deverão apontar as maiores demandas. “A justiça social continuará existindo na cidade com os programas já existentes”, afirmou. Em outras cidades de maior porte, candidatos a prefeito de vários partidos propõem, de forma mais pontual, o transporte público de graça.

O médico Leandro Fonseca, do DEM, que disputa a prefeitura de Sorocaba, prevê a cobertura do custo com o repasse do vale-transporte, pago pelas empresas, a um fundo municipal. Ainda em Sorocaba, o candidato do PSOL, Raul Marcelo, prevê o passe livre para os estudantes de todos os níveis de ensino.

O candidato João Bosco, do PCdoB de São José dos Campos, quer usar a receita de publicidade em ônibus e o dinheiro das multas para cobrir o custo do passe livre. Em Bauru, Renata Ribeiro, do PSOL, prevê a tarifa zero no transporte público usando recursos do Fundo Municipal de Mobilidade Urbana, alimentado pela taxação progressiva das propriedades urbanas (IPTU progressivo). Já o candidato do PT em Santos, Raul Martins, quer adotar a tarifa social ampliada, com catraca livre para usuários em situação de vulnerabilidade.

Em Jundiaí, duas candidatas à prefeitura querem a catraca livre. “Mobilidade total, com ônibus de graça todos os dias e horários para todas as pessoas. Catraca livre é ônibus com wi-fi, ar condicionado e faixas exclusivas”, propõe Daniela da Câmara, do PT. Cíntia Vanessa, do PSOL, propõe a implantação gradual da tarifa zero, com a reestruturação do modelo atual de transporte.

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