Adversários de Campos vislumbram ajustes na campanha à Presidência

Provável entrada de Marina Silva à frente da chapa do PSB preocupa dilmistas e aecistas para pleito de outubro

Débora Bergamasco e Ricardo Galhardo, O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2014 | 03h00

Integrantes das campanhas de Aécio Neves (PSDB) e de Dilma Rousseff (PT) avaliam que a provável entrada da candidata a vice de Eduardo Campos, Marina Silva, na disputa presidencial exigirá um ajuste nas campanhas.

Já é certo que a estratégia do tucano sofrerá uma guinada. Desde que Aécio se consolidou em segundo lugar nas pesquisas de intenção de votos, ele vinha se concentrando em “olhar para cima e nunca para trás”, escolhendo sempre duelar com Dilma, líder nas pesquisas, e encarando o PSB de Campos, em terceiro na corrida, como “carta fora do baralho”.

Mas se Marina assumir a cabeça de chapa, tucanos acreditam que não só será impossível continuar ignorando a corrida dos pessebistas, como avaliam que a ex-ministra tem chances de desbancar Aécio do 2.º turno. Arriscam que ela partiria de um patamar de 15 ou 16 pontos nas sondagens, bem à frente do ex-governador de Pernambuco. O número poderia ainda sofrer uma distorção para cima, avaliam, por conta da superexposição de Marina no noticiário nos próximos dias.

Por ser mais conhecida nacionalmente que Campos e por já ter sido testada na eleição de 2010, quando conquistou cerca de 20 milhões de votos com menos de um minuto de TV, aecistas apostam que Marina poderá retirar não só parte dos eleitores do tucano, mas também parcela do eleitorado de Dilma. Este cenário favoreceria a realização do 2.º turno -ideal para todos os adversários da petista, já que é dela a maior rejeição entre os postulantes. Entretanto, a força de Marina pode ser suficiente também para tirar Aécio do segundo round eleitoral.

Por isso, para tomar as próximas decisões, o PSDB fica a reboque dos movimentos do PSB.  

Por enquanto, os primeiros programas de Aécio para o horário eleitoral, que começa na terça-feira, não serão alterados. O motivo é que os filmes iniciais apenas apresentam Aécio como neto do ex-presidente Tancredo Neves, pai de família, marido exemplar, deputado constituinte e governador de Minas Gerais por dois mandatos. Portanto, a nova configuração política em nada afetará a narração da biografia do mineiro na TV.

Potencial. Segundo um integrante da coordenação da campanha de Dilma, o momento é de “dar tempo ao tempo e guardar luto”. Em conversas reservadas, no entanto, avaliam que a tragédia envolvendo o candidato do PSB tem potencial para causar uma reviravolta na disputa eleitoral. Os petistas dão como certo que Marina sucederá Campos como candidata mas ponderam que ainda é cedo para avaliar qual seria o impacto no eleitorado.

Por um lado, apoiadores de Dilma acreditam que Marina, caso confirme a candidatura, terá um período de superexposição na mídia e pode se aproveitar por ser mais conhecida do que Campos e pela comoção nacional em torno da morte do ex-governador de Pernambuco. Por outro, há petistas avaliando que a ausência de Campos pode desencadear disputas internas, fragilizar Marina dentro da aliança PSB/Rede e expor as contradições entre os dois segmentos que compõem o centro da candidatura em assuntos delicados como meio ambiente e agronegócio, principalmente, em Estados onde o PSB se aliou ao PSDB, como é o caso de São Paulo.

Segundo integrantes da campanha dilmista, o programa de estreia no horário eleitoral gratuito deve ter uma homenagem a Campos. O formato ainda não foi definido. Uma ideia é que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem Campos foi ministro e aliado, grave um depoimento em tom pessoal.

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