Acusados negam pressão para direcionar as emendas

Cinco dos deputados citados por promotores dizem nada ter feito de irregular; o sexto não respondeu às perguntas

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2013 | 02h10

O líder do governo na Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou que a responsabilidade por contratar a empresa é da prefeitura e que o fato de apenas uma emenda sua ter sido destinada à Demop Participações Ltda. "desmoraliza tudo o que foi inventado" contra ele. O nome do deputado aparece na contabilidade da Máfia do Asfalto. "O ideal seria não encontrar nenhuma emenda minha, mas das centenas de emendas que apresentei só uma ter sido destinada já desmoraliza tudo o que foi investigado contra mim", afirmou.

Dos outros envolvidos, quatro negaram qualquer irregularidade e o quinto não atendeu ligações do Estado.

Arlindo Chinaglia pediu ao jornal que fosse incluído no texto que "essa é uma reportagem requentada". "Escreve isso aí", insistiu. Ele acusou os investigadores de fazerem um "vazamento seletivo" das investigações. Disse ter solicitado, ele mesmo, à Procuradoria-Geral da República para investigar a citação ao seu nome.

O deputado João Dado (SDD-SP) afirmou que conhece os sócios do grupo Demop, mas negou ter direcionados suas emendas a prefeituras que contratassem empresas do grupo. "Eu destino emendas a centenas de municípios do noroeste paulista. Não seria possível ter qualquer tipo de conduta indevida que não fosse identificada." Dado afirmou que conhece os pais dos sócios da Demop. "Eles são da minha cidade. Não tem jeito de eu não conhecê-los." O grupo Scamatti tem como sócios Pedro Scamatti Filho, Dorival Remedi Scamatti, Edson Scamatti, Mauro Andre Scamatti e Olívio Scamatti.

O deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) disse que ele só apresenta a emenda: "Os municípios é que se viram para fazer a licitação". Garantiu que não conhece "o pessoal da empresa" e que o único valor que recebeu do grupo foi para sua campanha. "Foi doação oficial. Está tudo registrado." A assessoria do deputado Jefferson Campos (PSD) disse que "ele já falou tudo o que tinha para falar" e não ligou de volta para o Estado.

Em nota, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) afirmou que suas emendas foram fiscalizadas pela Caixa Econômica Federal (CEF). "Não recebi qualquer contribuição das empresas envolvidas, como atesta a Justiça Eleitoral. Nunca fiz qualquer tipo de negociação com Olívio Scamatti ou com qualquer outro empresário." O deputado Eleuses Paiva (PSD-SP) não foi localizado. Ninguém atendeu as ligações no gabinete dele ontem.

Procurada, a Caixa Econômica Federal afirmou, por meio da assessoria, que não tem a relação das empresas contratadas com recursos do Orçamento federal. "Esclarecemos que, para as operações com recursos do Orçamento-Geral da União, a responsabilidade por licitar, contratar e pagar as empreiteiras/fornecedores é do ente tomador/beneficiário, de forma que esses dados não estão disponíveis nos sistemas da Caixa."

A nota do banco afirma, ainda: "Nessas operações não nos relacionamos com empreiteiros ou fornecedores".

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