Acusado de desviar R$ 49 milhões doa para políticos em MS

O empresário João Roberto Baird é o nono maior doador individual nesta campanha, tendo repassado R$ 1,038 mi

Mateus Coutinho, O Estado de S. Paulo

13 de setembro de 2014 | 03h00

Acusado de participar de um esquema de desvio de R$ 48,7 milhões do Detran de Mato Grosso do Sul, o empresário João Roberto Baird é o nono maior doador individual nestas eleições até agora. As contribuições seguem a lei e foram declaradas nas prestações de contas dos partidos e candidatos contemplados pelos valores.

O empresário contribuiu com R$ 1,038 milhão para diferentes siglas, sendo a maior parte (R$ 630 mil) para a direção estadual do PMDB, partido do atual governo. O candidato de oposição, o petista Delcídio Amaral, recebeu R$ 300 mil.

Baird é dono das empresas S&I Serviços e Informática e Itel Informática, que têm histórico de firmar contratos com a administração pública do Estado. No site da Itel, o governo de Mato Grosso do Sul é listado como um dos clientes atuais.

Escândalos. As duas empresas estiveram envolvidas em escândalos no passado. De acordo com o Ministério Público Federal, entre 1999 e 2003, o Detran-MS firmou um contrato com a S&I sem licitação para arrecadar valores relativos a taxas e impostos de trânsito, como IPVA, multas e o prêmio de seguro DPVAT. 

O MPF afirma que houve desvio de parte dos valores que deviam ter sido repassados ao Fundo Nacional de Saúde, ao Departamento Nacional de Trânsito e à Federação de Seguradoras.

Corrigida pela inflação, a quantia desviada equivaleria hoje a R$ 48,7 milhões. Diante disso, a Procuradoria da República no Estado entrou em 2011 com uma ação contra três empresários, entre eles Baird, o ex-deputado federal Dagoberto Nogueira (PDT) e a ex-diretora do Detran Dejanira Machado Recalde. 

Eles são acusados de formação de quadrilha, peculato, dispensa ilegal de licitação e operação de instituição financeira sem autorização. A denúncia foi recebida pela Justiça Federal em 2012, onde o processo está em tramitação até hoje, na Vara Federal de Campo Grande (MS). Somadas, as penas para esses crimes podem ir de 6 a 24 anos de reclusão. 

Segundo o MPF, em dezembro de 2003, após o caso vir à tona, Baird devolveu aos cofres públicos R$ 3,1 milhões, que em valores atuais correspondem a R$ 5,5 milhões. Após devolver parte do dinheiro na época, Baird continuou contribuindo para campanhas de políticos em outras ocasiões. Em 2010, ele doou R$ 1,7 milhão para a campanha do atual governador, André Puccinelli (PMDB). 

O Estado entrou em contato ontem com a Itel Informática, mas foi informado que Baird não estava no local e só poderia ser encontrado na segunda-feira. A reportagem ligou para o escritório do advogado José Wanderley Bezerra Alves, que defende o empresário na ação na Justiça Federal. Lá, também foi informado de que Alves só poderia ser encontrado na segunda-feira.

A assessoria do governo de Mato Grosso do Sul não atendeu às ligações da reportagem.

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