Acusação de viés ideológico na política externa é insulto, diz Marco Aurélio Garcia

Para assessor especial da Presidência, afirmações ofendem diplomatas e ministros que comandaram Ministério das Relações Exteriores nos últimos anos

Wilson Tosta, O Estado de S. Paulo

16 de outubro de 2014 | 17h42

RIO - O assessor especial da Presidência da República Marco Aurélio Garcia afirmou na tarde desta quinta feira, 16, considerar "insultuosas" as acusações de que a política externa brasileira sob os governos do PT tenha "viés ideológico, quando não um viés partidário". Para ele, essas afirmações ofendem diplomatas e ministros que comandaram o Ministério das Relações Exteriores nos últimos anos.

"Esta crítica na maioria das vezes tem vindo em uma versão fulanizada, como se visse a partir de um perigoso personagem instalado no Palácio do Planalto", disse Garcia, em debate promovido pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ao se referir a críticas que recebeu. Ele também chamou esses argumentos contrários de "torpes" e "bestificadores".

Garcia rebateu as críticas feitas ao governo brasileiro por ter supostamente sido indulgente com o Estado Islâmico, que tem decapitado estrangeiros e atacado minorias. "Houve um embaixador que me sugeriu tomar um cafezinho com o embaixador do Estado Islâmico." Ele afirmou que a posição brasileira é contrária à intervenções armadas sem autorização do Conselho de Segurança. 

"Por que fizemos isso? Porque temos indulgência com a barbárie? Não. Porque descobrimos, desde o início do governo Lula, que essas armadas, essas bravata, em vez de combater a barbárie, a estimulam", disse Garcia, lembrando as invasões ao Iraque, Afeganistão e Líbia e à guerra civil na Síria. 

O assessor especial afirmou que o Brasil se relaciona bem com os países bolivianos, mas negou ser bolivariano. "Não tenho nada contra os bolivarianos, mas não é a minha praia", declarou. Ele ressaltou que o País considera importante o relacionamento com os vizinhos. "Não se fará nada se ficarmos dizendo que estamos cercados por países produtores de cocaína", declarou, criticando veladamente declaração do candidato à Presidência tucano, Aécio Neves.

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