Acuado, Alckmin banca prévia tucana

Base do PSDB e pré-candidatos acusam cúpula de 'golpe' e governador diz que consulta está mantida para março, mesmo sem decisão de Serra

O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2012 | 03h05

A articulação de setores do PSDB para engavetar a prévia e fazer com que o ex-governador José Serra reveja sua intenção de não disputar a Prefeitura causou um racha entre os tucanos e fez com que o governador Geraldo Alckmin afirmasse publicamente que o processo de escolha está mantido.

"A prévia está mantida, será no dia 4 de março. Não tem nenhum fato novo. Se o Serra resolver ser candidato, ele vai comunicar ao partido, vai comunicar aos pré-candidatos e nós vamos conversar. Mas não tem nenhum fato novo", disse Alckmin.

Em e-mail enviado a militantes, intitulado Convocação Contra o Golpe, tucanos favoráveis à prévia conclamaram correligionários a se reunir ontem para mostrar a "força da militância".

"Serra não é o faraó do PSDB. Não é um deus ilustre. Todos querem prévias, com exceção de alguns deputados", disse Gilmar Borges, presidente do diretório de Lausanne Paulista, zona norte, no ato que reuniu cerca de 70 militantes, ontem à noite. "Um golpe contra as prévias seria suicídio político", afirmou o presidente do diretório de Perdizes, Celso Figueiredo.

Nos bastidores, aliados de Alckmin, que querem Serra na disputa, estudavam compensações aos pré-candidatos para que abram mão do processo, criando condições para o ex-governador entrar na disputa. Em razão da reação dos pré-candidatos e da militância, que pelas redes sociais acusou a cúpula da sigla de promover um "golpe" contra a prévia, o partido recuou e manteve, por ora, o processo de escolha.

A ideia agora é que o partido realize a disputa e, se no futuro Serra resolver se candidatar, as lideranças pressionarão o vencedor a abrir mão para ele. "A prévia é um avanço, ela é superimportante. Se tiver algum fato novo, vai se conversar. O fato é que Serra é um grande nome. Qual partido que não gostaria de ter um quadro da sua experiência, qualidade, espírito público?", indagou o governador.

Em nota divulgada anteontem, parte da bancada tucana na Assembleia pediu a Serra que aceitasse disputar e que o PSDB desistisse da prévia. A proposta foi mal recebida pelos tucanos que querem que haja disputa.

Alckmin colocou em curso uma força-tarefa para fazer Serra reverter sua decisão, dando garantias ao ex-governador de que o apoiaria - os dois capitaneiam grupos distintos, que se enfrentaram na eleição de 2008.

O governador, porém, esperava uma decisão antes de 4 de março. Aliados de Serra, no entanto, acham pouco provável que ele reveja sua situação até lá.

A ação para barrar a prévia foi mal recebida pelos militantes envolvidos nas campanhas dos pré-candidatos - os secretários Andrea Matarazzo (Cultura), Bruno Covas (Meio Ambiente) e José Aníbal (Energia) e o deputado Ricardo Tripoli. Hoje eles se encontram para afirmar a disposição de continuar na disputa.

Aníbal rechaçou que possa vir a aceitar qualquer "compensação" para abrir mão da prévia. "Quem acha isso é algum ladrão, é algum corrupto para quem a vida pública é ocupar espaço em benefício próprio. Não é meu caso. Eu não aceito isso", afirmou. "As armas da política, tudo bem. Mas o que isso está supondo? Que estou querendo ser o candidato a prefeito para ter compensação? Francamente."

O líder do PSDB na Câmara Municipal, Floriano Pesaro, defendeu a prévia. "A bancada de vereadores defende que esse processo vá até o final. Mas consideramos legítimo se Serra pleitear a candidatura." / JULIA DUAILIBI, FELIPE FRAZÃO e DANIEL BRAMATTI

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.